Por moradias populares, 400 do MTST continuam acampados na Paulista

Por moradias populares, 400 do MTST continuam acampados na Paulista

Pelo segundo dia consecutivo, manifestantes tomam avenida mais importante de São Paulo, em frente ao escritório da Presidência, em protesto contra alteração do programa Minha Casa Minha Vida

Valmar Hupsel Filho e Pedro Venceslau

16 de fevereiro de 2017 | 16h29

Cerca de 400 militantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) permanecem acampados pelo segundo dia consecutivo em frente ao escritório da Presidência da República, na Avenida Paulista, em São Paulo. O protesto é pela suspensão da contratação de casas do programa Minha Casa Minha Vida destinadas à chamada Faixa 1 – famílias com renda de até R$ 1,9 mil.

Os manifestantes afirmam que vão permanecer em barracas armadas na Paulista por tempo indeterminado até que o governo inicie a execução de moradias a famílias com menor poder aquisitivo, suspensa desde a chegada de Michel Temer ao Palácio do Planalto, segundo os manifestantes.

“O governo Temer não contratou nenhuma moradia da Faixa 1 desde que entrou. Zero. Estão querendo direcionar o grosso dos recursos para as faixas 2 e 3, que tem maior poder aquisitivo”, afirmou ao Estadão o líder do MTST, Guilherme Boulos.

O ato, informa, é também pela contratação  de moradias populares que já têm documentação aprovada, mas não tiveram suas obras iniciadas. “É uma demanda apresentada ao governo há mais de um ano, a contratação de uma série de moradias populares que já estão com tudo ok, com alvará de obra, que já está tudo absolutamento certo e depende apenas de liberação em Brasília.”

Segundo Boulos, a preocupação dos manifestantes é a possibilidade de não execução da contratação de 35 mil unidades para o programa Minha Casa Minha Vida Entidades – Faixa 1, que está prevista no Orçamento para este ano. “Está previsto no Orçamento, mas corre o risco de ser contingenciado”, disse.

No manifesto de convocação para o ato, o MTST afirma que 84% das pessoas que fazem parte do déficit habitacional do Brasil estão na chamada Faixa 1, com renda familiar de até R$ 1,9 mil, mas foram ‘esquecidas’ pelo governo Temer.

“As 600 mil moradias anunciadas por Temer foram para uma outra faixa da população.” “Aumentaram o limite de crédito do Minha Casa Minha Vida para R$9 mil, ou seja, transformaram um programa social em programa de crédito imobiliário para financiar casa própria para setores que não são os mais necessitados, que não são os sem-teto e não são aqueles que mais precisam de moradia no Brasil”, diz o texto.

O acampamento foi montado na noite desta quarta-feira, 15, após o encontro de duas marchas realizadas pelo MTST que percorreram ruas das zonas Oeste e Centro da cidade.

DNT_7718.JPG DNT 15-02-2017 SAO PAULO - SP / CIDADES METROPOLE OE / PROTESTO MTST - Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) fazem manifestacao na avenina Paulista contra elevacao do teto salarial para contratacao do Minha Casa Minha Vida. Manifestantes reclamam que anuncio transforma o programa de habitacao do governo em credito imobiliario perdendo seu carater social. na foto Eles montam um acampamento em frente a estaçao Consolção do Metro e predio da Presidencia em SP FOTO DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Militantes do MTST durante protesto na Av. Paulista nesta quarta-feira, 15 – FOTO DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

O líder do movimento afirma que as barracas permanecerão no local até que o governo dê uma resposta às reivindicações, o que não havia ocorrido até o início da tarde desta quinta-feira, 16. “O único posicionamento foi colocar a tropa de choque na porta do prédio”, disse Boulos.

Procurado na noite desta quarta-feira e na tarde desta quinta, o Palácio do Planalto afirmou, por meio de nota, que ‘não irá fazer posicionamento em relação ao movimento e não há negociação em curso com líderes do ato’.

Para esta quinta-feira, 16, os manifestantes planejam uma programação cultural, com aulas públicas, roda de capoeira e apresentações musicais.

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