Por Marielle e mortos de Brumadinho, 400 mulheres do MST bloqueiam trem da Vale em Minas

Por Marielle e mortos de Brumadinho, 400 mulheres do MST bloqueiam trem da Vale em Minas

Manifestantes fizeram ato contra a mineradora nesta quinta, 14, em Sarzedo, cidade vizinha ao local onde o tsunami de lama matou 200 e deixou 108 desaparecidos, em 25 de janeiro, na região metropolitana de Belo Horizonte

Paulo Roberto Netto

14 de março de 2019 | 13h14

Manifestante do MST participa de protesto na linha férrea de Sarzedo, na Grande BH. Foto: MST / Divulgação

Manifestantes do Movimento Sem Terra (MST) bloquearam a passagem de um trem da Vale nesta quinta, 14, em protesto contra o rompimento da barragem de Brumadinho (MG) e o um ano do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL).

O ato ocorreu em Sarzedo, município vizinho de Brumadinho na região metropolitana de Belo Horizonte. O trem da Vale passa diariamente pela cidade transportando minério de ferro extraído do quadrilátero ferrífero de Minas.

Procurada, a Vale ainda não se pronunciou sobre o caso.

Nesta quinta, o número de mortos na tragédia em Brumadinho subiu para 203, informou a Defesa Civil de Minas Gerais. Outras 105 pessoas ainda estão desaparecidas.

Segundo o MST, cerca de 400 mulheres participaram do ato com objetivo de denunciar ‘a violência da mineração predatória contra as mulheres; a ameaça ao abastecimento de água à população gerada pelas mineradoras e sua total irresponsabilidade ambiental, além da sonegação da previdência e o não pagamento dos impostos sobre a extração mineral’.

Polícia Militar foi acionada para acompanhar protesto do MST em Sarzedo, na Grande BH. Foto: MST / Divulgação

O grupo alega que a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), pago pelas mineradoras aos municípios para garantir a exploração, não corresponde ao desenvolvimento da região, tornando-a ‘dependente’ de um ‘modelo de mineração estritamente vinculado à lógica capitalista’

Durante o ato, a Polícia Militar foi acionada e houve confronto com os manifestantes. De acordo com a corporação, ainda não há registro de feridos na ocorrência.

COM A PALAVRA, A VALE

A reportagem entrou em contato com a assessoria da Vale e aguarda retorno. O espaço está aberto para manifestações.