Por ‘ilícitos confessados’ em obras do PAC das Favelas, Maracanã, Arco e Metrô, Odebrecht fecha acordo de R$ 660 milhões com Rio

Por ‘ilícitos confessados’ em obras do PAC das Favelas, Maracanã, Arco e Metrô, Odebrecht fecha acordo de R$ 660 milhões com Rio

Novonor S.A., antiga Odebrecht pilhada em investigações da extinta Operação Lava Jato, vai pagar R$ 330 milhões ao Tesouro fluminense em 23 anos e abre mão de cobrar outros R$ 330 milhões por alegados prejuízos no plano de concessão do templo do futebol, segundo ajuste com a Procuradoria- Geral do Estado e a Controladoria-Geral do governo do Rio de Janeiro

Pepita Ortega

25 de janeiro de 2022 | 16h52

Maracanã. Foto: Fábio Motta/Estadão

A Procuradoria Geral do Estado e a Controladoria Geral do Estado do Rio de Janeiro assinaram nesta segunda-feira, 24, acordo de leniência em que a Novonor S.A. – antiga Odebrecht – se compromete a desembolsar cerca de R$ 660 milhões, entre pagamentos e desistência de cobranças.

Segundo a PGE, ao longo dos próximos 23 anos, a empresa vai pagar R$ 330 milhões ao Estado referentes a restituição de lucro e pagamento de multa por ‘ilícitos confessados’ em contratos de obras de infraestrutura.

O órgão citou contratos ligados ao PAC Favelas, ao Arco Metropolitano, à obra e concessão do Maracanã, à construção da Linha 4 do Metrô, e a obras de reparos dos estragos provocados pelas enchentes dos rios Muriaé e Pomba, no noroeste do Rio.

Ainda de acordo com a Procuradoria, o acordo com a Novonor também prevê a desistência da arbitragem que discute a concessão do Maracanã e na qual a empresa cobra R$ 330 milhões do Estado por alegados prejuízos.

A empreiteira ainda apresentará provas que tornarão possível a anulação do contrato da linha 4 do metrô, propiciando que o Estado possa fazer nova licitação para concluir a obra, diz o órgão.

A Procuradoria Geral do Estado também indicou que a Novonor se comprometeu a apresentar provas contra agentes públicos e privados ‘que ajudarão no combate à corrupção e na recuperação de outros ativos’.

O acordo foi assinado pelo Procurador-Geral do Estado, Bruno Dubeux, pelo Controlador-Geral do Estado, Jurandir Lemos Filho, e pelo diretor superintendente das operações da Novonor no Brasil, Raul Ribeiro, e a advogada Luciana Levy.

Trata-se terceiro acordo de leniência assinado pelo Rio de Janeiro com empresas denunciadas no âmbito da Operação da Lava Jato. O primeiro foi celebrado em janeiro de 2021 com a Andrade Gutierrez e envolveu R$ 66,5 milhões. O segundo, fecho em setembro com a Carioca Engenharia, devolverá R$ 132 milhões aos cofres do Estado.

A PGE diz que há, no âmbito dos acordos, mais de R$ 500 milhões em dinheiro a serem devolvidos, além de outros R$ 400 milhões referentes à desistência de ações de cobrança propostas pelas empreiteiras contra o Estado.

COM A PALAVRA, A NOVONOR

“A empresa tem colaborado de forma permanente e eficaz com as autoridades em busca do pleno esclarecimento de fatos do passado. Hoje, está inteiramente transformada. Usa as mais recomendadas normas de conformidade em seus processos internos e segue comprometida com uma atuação ética, íntegra e transparente.”

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