Por desvios na Saúde, dois médicos são presos pela PF em São Paulo

Por desvios na Saúde, dois médicos são presos pela PF em São Paulo

Segunda etapa da Operação Contágio, deflagrada nessa terça-feira, 23, mergulha em esquema de organizações sociais que receberam R$ 300 milhões em recursos públicos e estenderam seus tentáculos até os municípios paulistas de Hortolândia, Embu das Artes e Itapecerica da Serra; Justiça decretou bloqueio de R$ 40 milhões em dinheiro e bens

Redação

23 de novembro de 2021 | 18h13

Segunda fase da Operação Contágio. Foto: Polícia Federal

A Polícia Federal abriu a segunda etapa da Operação Contágio nesta terça-feira, 23, para aprofundar investigação sobre desvios de recursos públicos na área da Saúde, nos municípios de Hortolândia, Embu das Artes e Itapecerica da Serra, no interior de São Paulo. Durante a ofensiva, quatro pessoas foram presas preventivamente, entre elas dois médicos que seriam alguns dos principais dirigentes da Organização Social sob suspeita.

De acordo com os investigadores, a nova fase da Contágio tem como foco a lavagem do dinheiro desviado da saúde e na reparação do prejuízo aos cofres públicos. Até o momento, já foi identificado que cerca de R$ 18 milhões foram sacados em espécie por um guarda civil municipal, diz a PF.
Agentes cumpriram ainda 20 mandados de busca e apreensão, sendo que na casa dos investigados foram apreendidos mais de R$ 200 mil reais em espécie.

As ordens foram expedidas pela Justiça Federal de São Paulo e pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3). Também foram decretados o bloqueio e a apreensão de mais de R$ 40 milhões dos investigados, incluindo contas bancárias, imóveis, veículos e uma lancha de luxo. Além disso, determinou-se a suspensão da atividade econômica de empresas, considerando indícios de que elas eram utilizadas exclusivamente para a prática de crimes.

Segunda fase da Operação Contágio. Foto: Polícia Federal

Segundo a PF, a investigação identificou organizações sociais de saúde (OS) que administram algumas instituições de municípios do interior paulista, mas não teriam capacidade técnica para gerir contratos complexos. Em menos de três anos, a OS sob suspeita teria recebido mais de R$ 300 milhões de reais em recursos públicos.

As apurações da corporação e da Controladoria-Geral da União indicam que o esquema investigado consistia no superfaturamento do fornecimento de bens e serviços, como plantões médicos e medicamentos, além da realização de serviços simulados, como de assessoria.

Durante a 1ª fase ostensiva das apurações, um dos investigados tentou se desfazer do computador e do aparelho celular lançando-os no telhado. Outros alvos da ofensiva apagaram as mensagens dos celulares antes da chegada dos policiais, na tentativa de dificultar o acesso pelos peritos.

Dois dias depois da primeira etapa da Contágio, a Polícia Federal apreendeu quase R$ 500 mil em uma sala secreta da OS em Cotia. As pessoas que foram flagradas transportando esses valores também são alvos da operação de hoje, diz a corporação.

Segunda fase da Operação Contágio. Foto: Polícia Federal

Segunda fase da Operação Contágio. Foto: Polícia Federal

Segunda fase da Operação Contágio. Foto: Polícia Federal

Segunda fase da Operação Contágio. Foto: Polícia Federal

Segunda fase da Operação Contágio. Foto: Polícia Federal

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