Política e oratória: por que eles são tão bons?

Política e oratória: por que eles são tão bons?

Jean Emmanuel*

27 de abril de 2021 | 05h00

Jean Emmanuel. FOTO: DIVULGAÇÃO

Sempre que vemos um político falando, via de regra, pensamos: “nossa, como ele fala bem!”. Logicamente existem exceções, mas a regra é essa. A eloquência, que é a capacidade de falar e expressar-se com desenvoltura é uma característica dos políticos. Com certeza isso levou muitos até a posição em que se encontram hoje. Contudo, o objetivo deste artigo é aprofundar a questão e analisar o que podemos, ou não devemos aprender com o jeito de falar dos governantes.

Políticos normalmente conhecem o seu potencial vocal e corporal. Suas palavras têm vida e se esmeram na conexão com o público.

Se você é do tipo de pessoa que tem uma voz fraca e hesitante, aprenda a falar com convicção e segurança. Essa voz mais firme, que os políticos possuem, ganha a confiança das pessoas. Não é voz mais alta, é voz mais forte.

Se você tem um discurso monótono e que não prende a atenção dos outros, aprenda a falar com alternância de volume e de velocidade. Como explico em meu livro, Pare de Vacilar em suas Apresentações, publicado pela Pandorga, atente-se à entonação correta para o momento, empregando pausas e enfatizando as palavras que você considera como as mais importantes de cada frase.

Se você é do tipo de pessoa que conversa sem olhar nos olhos, aprenda a fazer conexão visual. Não estabelecer esse contato, faz com que as pessoas se sintam menosprezadas e desconfiadas. Não precisa encarar, olhar na medida certa conquista credibilidade e faz as pessoas se sentirem prestigiadas.

Se você é do tipo de pessoa que ainda parece estar dormindo quando fala, aprenda a colocar vida em suas palavras. A empolgação por aquilo que você apresenta gera interesse no seu discurso e faz com que a comunicação não verbal aconteça de forma espontânea. Você se movimenta e gesticula naturalmente quando está empolgado pelo assunto. Talvez não perceba, mas é exatamente isso que os candidatos fazem.

Se você termina uma apresentação dizendo “é isso”, saiba que os políticos não cometem esse erro. Aprenda a ter uma conclusão culminante. Eleve sua entonação, faça uma pausa curta e agradeça a atenção. Fazendo isso a finalização do seu discurso mudará da água para o vinho.

Entretanto, apesar de os políticos serem reconhecidamente bons oradores, eles de maneira geral cometem alguns deslizes. Aprendamos com eles também o que não fazer.

O início de um discurso deve ser forte. Políticos costumam perder muito tempo cumprimentando uma mesa de autoridades deixando o público de lado neste momento.

Falar no tempo estipulado é uma questão de etiqueta. Muitos políticos esquecem que existe relógio e falam, falam, falam… Isso é não se importar com o evento e com o público.

A fala deve ser contextualizada com a ocasião. Político que quiser usar o microfone para fazer politicagem ou falar de assunto sério em abertura de jogos ou festas pode estar certo que não terá a atenção de muitas pessoas.
Em termos de oratória, existem algumas coisas que não podemos copiar dos políticos, mas no geral, temos muito para aprender com eles sim. Políticos tem uma eloquência diferenciada e assisti-los é uma verdadeira aula para se falar em público.

Agora, pare de vacilar em suas apresentações.

*Jean Emmanuel, especialista em comunicação pública e empresarial, autor da obra Pare de Vacilar em suas apresentações

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