Política e o ato de escolha

Leonardo Luiz*

25 de setembro de 2018 | 10h00

Escolheu a sua vestimenta, seus adornos, o relógio, o brinco, o computador que está usando, a empresa na qual trabalha (evidentemente te escolheram também, mas a decisão foi exclusivamente sua), escolheu as cores que mais gosta, o namorado, a namorada que, óbvio, lhe escolheu também. Logo, não preciso ir além desse parágrafo para convencê-lo de que as escolhas são condição sine qua non em nossas vidas. Estamos sempre voltados a ela e quase sempre atrelados à dura decisão: em virtude de uma escolha específica, abrir mão de outra.

Vejamos, primeiro, um verbete da nossa língua portuguesa (Houaiss, 2001): Escolha: 1. Ato ou efeito de escolher. 2. Preferência que se dá a alguma coisa que se encontra entre outras; predileção. 3. Opção entre duas ou mais coisas. 4. Ato de eleger, eleição. 5. Capacidade de escolher bem, de escolher com discernimento.

Aflição, conflito e ansiedade são sensações que nos afetam quando nos vemos diante de alguma situação que nos apresenta duas ou mais possibilidades de escolha. Diante desse tipo de conflito, cada sujeito poderá manifestar diferentes formas de atuação. Ou seja, cada pessoa possui, particularmente, um estilo de se posicionar e reagir diante de certas situações. Foi assim, muito provavelmente, quando escolheu o curso de graduação que faria. O vestibular que tanto nos familiarizou com o “friozinho” na barriga, talvez (academicamente falando) tenha sido o último instrumento claro desse incômodo, nem sempre tão ruim assim, que nos remete às escolhas que fazemos. Depois dele, as escolhas ficam veladas por um “eu quero” ou “eu não quero”.

Mas seria tão simples assim? Conhecem aquela sensação que nos toma (especialmente quando adolescentes) no dia que antecede uma viagem importante ou há tempos esperada; alguns passaram até a noite acordados, tamanha a ansiedade. Não que isso não aconteça mais. Mas será que existe uma escolha mais importante que outra? O que determinaria tal importância?

Quando nascemos, fomos escolhidos por nossos pais para estarmos presentes no mundo, por isso você pode agora ler o que eu escrevo e obviamente eu posso estar em frente ao computador escrevendo. Óbvio, fomos escolhidos. Depois, escolheram nossos nomes, provavelmente diante de um leque muito grande de opções, pela beleza, pelo som que as letras emitem, ou para homenagear alguém. Aliás, você sabe por que te chamam assim? Pergunte, pode ser uma boa dica para o processo de escolher alguma coisa.

Voltando a falar um pouco das primeiras escolhas, sabemos então que, ainda durante algum tempo, nossos pais farão por nós algumas escolhas importantes na vida. Primeiro escolhem a escola, sem contar que antes disso tudo eles já escolhiam até as nossas roupas, o penteado. Entendo, naturalmente, que eles – nossos pais/ou quem tenha exercido a função – sempre estiveram preocupados com nosso bem-estar, sempre escolhendo o que acreditavam ser o melhor, ainda que discordássemos, por vezes, disso.

Mas fomos crescendo e eles, meio forçadamente, deixando de escolher nossas roupas, nossos passeios, discos/CDs e livros. Começamos a sentir o gostinho da independência de ser “gente grande”, aliás, os hormônios também nem nos deixariam esconder. Sensação maravilhosa de autonomia e liberdade. Muitas festas, muitos namoros, muitos passeios sem os pais e, somado a tudo isso, uma medida bem intensa de maior responsabilidade.

De repente, nos vemos diante de uma escolha que parece ser tão maquiavélica, decisiva e assustadoramente parece num primeiro momento definitiva. Que profissão seguir? Por qual curso optar? Invariavelmente, uma decisão que nos afetará a vida toda. Uma vez formado, você é quem escolhe o profissional que deseja ser: uma excelência para o mercado de trabalho, tão competitivo e impiedoso; bem remunerado, reconhecido respeitado… ou mais um na selva do “salve-se quem puder”. E nessa jornada não adianta responsabilizar o outro (seja ele quem for, professor, colegas, instituição, dificuldades de toda a ordem).

Nós fazemos escolhas constantemente e, às vezes, nem nos damos conta disso. Das opções que nos são apontadas para escolher, refletem vários aspectos de nossas vidas. Ao fazer uma escolha, sempre ganhamos e perdemos numa medida muito semelhante. O bônus pelo acerto da opção e, inevitavelmente, também o ônus quando nos arrependemos de alguma escolha, pois no mínimo esse arrependimento nos permitirá amadurecer mais.

Em outubro, teremos eleições. Escolheremos o candidato X por entendermos ser o mais competente que o Y; escolheremos por nos identificarmos com suas propostas, seu histórico, seu plano de governo entre outras razões; escolhemos o que nos convém e, obviamente, ao escolher um abriremos mão de outros. Escolher pautados em nossos valores e repertório adquirido ao longo da formação é fundamental. Se a escolha do candidato for análoga à sua escolha profissional, certamente será equilibrada e refletida. Dedique-se à essa reflexão, VOCÊ será o único responsável por suas opções!

*Leonardo Luiz é psicólogo, especialista em gestão de pessoas e professor do programa de Pós-Graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie Alphavile

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