Politéia acha ‘cofrão’ na sede da Aster Petróleo em São Paulo

Politéia acha ‘cofrão’ na sede da Aster Petróleo em São Paulo

Operação ordenada pelo Supremo encontrou R$ 3,67 milhões no escritório do empresário Carlos Santiago; ao todo foram apreendidos R$ 4,028 milhões, US$ 45,6 mil e 24,5 mil em euros com os alvos da nova fase da Lava Jato, que alcançou seis políticos

Redação

14 Julho 2015 | 18h51

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Atualizada às 21h43

Por Fábio Fabrini, de Brasília, Fausto Macedo e Josette Goulart

A Polícia Federal apreendeu R$ 4,028 milhões com os alvos da Operação Politeia, deflagrada nesta terça-feira, 14, além de US$ 45,6 mil e 24,5 mil em euros. Os agentes também recolheram joias e cinco veículos de luxo, três deles na Casa da Dinda, de propriedade do senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL).

O maior montante apreendido – R$ 3,67 milhões – estava em um ‘cofrão’, conforme definição dos agentes, no escritório do empresário Carlos Alberto Santiago, o Carlinhos, dono da rede de postos de combustíveis Aster Petróleo. Ele é suspeito de ter intermediado propina de 1% para Collor sobre um contrato de R$ 300 milhões na BR Distribuidora.

Carlos Alberto teve três endereços vasculhados pela PF nesta terça-feira. Em 2002, ele foi citado na CPI dos Combustíveis da Assembleia Legislativa de São Paulo.

O Estado não conseguiu contato com o empresário nesta terça-feira.

A PF deflagrou, hoje, a Operação Politéia, que mira em políticos investigados no Supremo Tribunal Federal (STF) por suposto envolvimento no esquema de corrupção da Petrobrás. Entre os alvos está o senador Fernando Collor (PMDB-AL) que, nas últimas semanas, tem dirigido ataques à Procuradoria-Geral da República.

Os agentes federais cumprem 53 mandados de busca e apreensão envolvendo Collor, os também senadores Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) e Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE), além do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte (PP-BA) e o ex-deputado federal João Pizzolatti (PP-SC). As medidas foram requeridas por Janot.

Aster. Eram seis horas da manhã quando policiais federais entraram no Edifício San Paolo, na avenida Faria Lima, em São Paulo. A batida se deu no 19º andar onde fica uma série de empresas de “armazéns gerais” e a Aster Petroleo. Todas elas têm como acionista Carlos Santiago, empresário do setor de distribuição de combustíveis e que é sócio do BTG Alpha Investimentos, uma das empresas derivadas do banco de André Esteves, em postos de gasolinas. Um dos objetivos da PF ao entrar ontem no San Paolo era apreender documentos que possam ajudar na investigação de possíveis pagamentos de propinas que envolvem a BR Distribuidora.

Uma das acusações feitas em acordos de delação premiada respingou justamente na sociedade entre André Esteves e Santiago. O caso ganhou as páginas de jornais e revistas recentemente depois que a revista Época divulgou o conteúdo de parte da delação premiada de Alberto Yousseff. O doleiro disse que a empresa Derivados do Brasil, resultante da entrada de Esteves como sócio de Santiago na Aster, pagou propinas à BR Distribuidora para poder ter a bandeira da Petrobrás em seus postos de combustíveis. O BTG negou qualquer participação e o próprio delator disse nunca ter encontrado representantes diretos do BTG. A delação de Yousseff envolvia ainda acusações sobre a ingerência de Fernando Collor na BR Distribuidora, justamente os alvos da Operação Politeia deflagrada ontem pela Polícia Federal em Brasília, Alagoas e São Paulo.

A assessoria de imprensa do banco BTG Pactual informou que nem o banco, nem seus sócios, tem qualquer ligação com a Aster Petróleo. Por telefone, a assessoria informou que a sociedade é em “outra Aster”, dona apenas de postos de combustíveis. São cerca de 120 postos. “Ao longo do tempo, por diferenças de visões empresariais, a sociedade na Derivados do Brasil foi desfeita e o processo de separação vem sendo conduzido há mais de dois anos”. Documentos da Junta Comercial de São Paulo mostram que a BTG Alpha participações é ainda sócia de Carlos Santiago na PRL Petroleo I, que também detém postos de combustíveis. Os documentos mostram ainda que o BTG fez algumas operações de lançamento de debêntures e concessão de crédito para empresas de Santiago, com garantias de ações de empresas do grupo de Santiago.

O empresário Carlos Santiago chegou a ser um dos principais donos de postos independentes da Petrobrás no fim da década de 90. Em 2009, vendeu parte deles justamente para a BTG Alpha Investimentos. O empresário também atua em outras pontas da cadeia de distribuição. No endereço onde foi feita a busca e apreensão da PF ontem, no edifício San Paolo, estão ainda registradas as sedes das seguintes empresas de “terminais e armazéns gerais”: Ageo, Altenberg, Copape, Empresa Brasileira de Terminais e Armazéns Gerais, Guarapa e Santorini. Todas elas estão ligadas societariamente ao empresário.

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