Policial Jayme Careca diz que era ‘office boy’ de doleiro da Lava Jato

Apontado como 'carregador de malas' de Alberto Youssef, agente da PF não citou nome de nenhum político e diz que 'não sabia' o que levava nos pacotes

Redação

05 de maio de 2015 | 16h49

Por Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

O agente da Polícia Federal Jayme Alves de Oliveira Filho, vulgo Jayme Careca, disse à Justiça Federal no Paraná, base da Operação Lava Jato, que era “apenas um office boy” do doleiro Alberto Youssef, personagem central da investigação sobre desvios e corrupção na Petrobrás. Ele não citou nome de nenhum político e afirmou que não sabia a identidade das pessoas a quem entregava “pacotes” a mando de Youssef.

VEJA O QUE CARECA DISSE À JUSTIÇA FEDERAL

O policial é acusado de ser “entregador de malas de dinheiro” a políticos por ordem do doleiro. Ele teria realizado pelo menos 31 entregas em espécie. Na contabilidade do doleiro, chamada “Transcareca”, há indicativos de que ele entregou R$ 13 milhões, além de US$ 900 mil e mais 365 mil euros.

Evasivo, Jayme Careca esquivou-se da maioria das indagações que lhe foram feitas pelo juiz Sérgio Moro na audiência realizada na segunda feira, 4. Confrontado com o depoimento que ele próprio fez na Polícia Federal, ocasião em que admitiu ter feito entregas de valores, o policial disse que quando ainda estava preso na carcegarem da PF, em Curitiba, o doleiro orientou-o a citar nomes e endereços.

VEJA O QUE DISSE O POLICIAL FEDERAL

Perante o juiz ele afirmou que “não sabia” que havia dinheiro nos pacotes que entregava. Youssef pagava a Jayme Careca entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil por serviço. “Eu era um office boy, nada além disso. Ele (Youssef) fazia isso para me ajudar, era um bico, única coisa fora do meu trabalho para poder ajudar a minha renda.”

O juiz insistiu no detalhe de que na PF Jayme Careca contou que sabia que transportava dinheiro. “Eu estava transtornado, não estava legal quando fui preso. Aí me deram uma caneta e um papel, fui anotando mecanicamente alguns dados. Apresentei o que tinha que apresentar ao delegado. O compromisso que firmei com a polícia foi de citar 3 endereços de 3 políticos. Aí fui solto. Fui para o médico, psicologicamente fiquei mal. Depois que me curei fui confirmar os endereços. Só podia falar o que era, o que não era não posso inventar. Minha vida sempre foi assim.”

Jayme Careca disse que prestou serviços para o doleiro entre 2010 e 2013. Questionado se foi a algum escritório ou na sede das empreiteiras OAS e UTC Engenharia – suspeitas de formarem cartel na Petrobrás -, ele respondeu. “Se é o que está escrito aí (no depoimento à PF), excelência, então é isso.”

O policial disse que na carceragem da PF encontrou-se com Youssef “duas u três vezes” e o doleiro o orientou a dizer que esteve “naqueles endereços”. O juiz Sérgio Moro ficou intrigado com a versão de Jayme Careca, principalmente quando o agente da PF insistiu em dizer que não sabia o que havia nos pacotes que entregava. “Ele (Youssef) entregava, se era dinheiro que tinha no pacote não sei informar.”

O juiz prosseguiu. “O sr. não tinha os nomes das pessoas para quem entregava?” “Eu não tinha, ia ficar anotando no meu caderninho?”, respondeu o policial. “Eu não estava investigando nada, minha função era de office boy.”

“E se tivesse drogas no pacote?”, insistiu o juiz.

“Até onde eu sei, excelência, o sr. Youssef não é traficante. Se eu suspeitasse de alguma coisa não passava nem perto dele.”

O policial disse que conhece e entregou valores para Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, apontado como lobista do PMDB na Petrobrás. “Eu era amigo dele. Entreguei pacote para o sr. Fernando Baiano.”

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