Policial da contrainteligência diz que desconfiava de ordens do Senado e teve medo de ser confundido com ‘espião’

Policial da contrainteligência diz que desconfiava de ordens do Senado e teve medo de ser confundido com ‘espião’

Geraldo César de Deus Oliveira, bacharel em Direito e policial legislativo, confessou à PF que inspecionou Casa da Dinda do senador Fernando Collor e endereços de Sarney e Gleisi e também viajou a São Luís 'por ordem do diretor do Senado'

Fábio Fabrini, de Brasília, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

22 de outubro de 2016 | 05h00

Brasília (DF), 21/10/2016 POLITICA A Polícia Federal (PF) cumpre na manhã desta sexta-feira quatro mandados de prisão contra policiais legislativos do Senado. Além disso, está realizando busca e apreensão nas dependências da Polícia Legislativa da Casa. A suspeita é de que a estrutura tenha sido usada para fazer contraespionagem contra investigações da Operação Lava-Jato. Viaturas da PF estão em frente ao Congresso Nacional. Foto: Jorge William/Ag. O Globo / PAGOS

PF ao cumprir mandados no Senado na sexta-feira, 21. Foto: Jorge William/Ag. O Globo

O policial legislativo Geraldo César de Deus Oliveira, preso nesta sexta-feira, 21, na Operação Métis, sob acusação de integrar um grupo do Senado que armou esquema de contrainteligência para blindar senadores da Lava Jato, confessou à Polícia Federal que fez uma varredura na Casa da Dinda, do senador Fernando Collor (PTC-AL).

Ele disse, ainda, que viajou ao Maranhão, também para outra varredura na casa do ex-senador Lobão Filho (PMDB/MA) ‘por ordem do diretor do Senado’.

Na ocasião da viagem à capital maranhense, Oliveira contou que ele e sua equipe ficaram com ‘receio’ de serem apanhados no aeroporto com os equipamentos e denunciados como ‘espiões’.

“Que realizaram também varredura na casa do senador Collor e que isto se deu logo depois da Operação da Polícia Federal na casa dele, no âmbito da Lava Jato”, relatou Oliveira, que teve prisão temporária decretada por cinco dias, mas foi solto logo depois de seu depoimento, ainda nesta sexta, 21.

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Segundo OIiveira, ‘o pedido de varredura foi feito para o gabinete, a residência oficial do senador Collor e também para a Casa da Dinda’.

O policial legislativo destacou que um assessor do senador, chamado Santana, lhe disse que Collor ‘estava inseguro de retornar para casa pois seus ambientes tinham sido devassados pela Polícia Federal’.

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Ele disse que a missão lhe causou ‘estranheza e receio, porém acreditava que estava cumprindo uma ordem legal’. Oliveira relatou que foi ainda à residência oficial do senador ‘no momento da busca da Polícia Federal’. Disse que o diretor da Polícia do Senado, Pedro Carvalho, esteve também na casa do senador e teve ‘um embate’ com policiais federais.

O policial confirmou varredura em endereço do ex-senador José Sarney (PMDB/AP). “Que ao receber esta ordem foi questioná-la e do diretor da Polícia do Senado recebeu a resposta que deveria ir simplesmente por ser uma ordem já que o pedido havia sido feito por um ex-presidente e que, acaso se um dia isto fosse questionado, poderia ser dito que tal medida foi realizada como precursora para uma visita do presidente do Senado, o que legitimaria a ação de contramedida.”

Geraldo Oliveira disse que fez inspeção na residência da senadora Gleisi Hoffmann (PT/PR), em Curitiba, a pedido dela, também alvo da Polícia Federal. Neste caso, teria questionado seu chefe imediato, Everaldo Bosco, a quem disse ‘temer’ que pudesse ficar a aparência de que estaria ‘protegendo parlamentar’.

“Desconfiava muito do interesse nas ordens recebidas”, ele disse à PF.

Sobre a viagem a São Luís contou que fez inspeção na casa ‘suntuosa’ de Marcos Regada.

Soube depois que Regada é genro do ex-senador Lobão Filho (PMDB/MA). “Para sua surpresa o genro do ex-senador revelou que o motivo na verdade não estava relacionado com o exercício de mandato de senador e sim relacionado com a campanha política de Edison Lobão Filho ao Governo do Estado.”