Policiais federais pedem a Aras que investigue Daiello e delegado dos ‘aloprados’

Policiais federais pedem a Aras que investigue Daiello e delegado dos ‘aloprados’

Presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, Luís Antônio Boudens, afirma que negociação de ex-diretor-geral da PF e o ex-delegado Edmilson Bruno com policiais que extorquiram empresário de bitcoins 'expõe negativamente' a corporação

Luiz Vassallo

10 de outubro de 2019 | 17h31

Ex-diretor-geral da Polícia Federal. Foto: Divulgação Polícia Federal

A Federação Nacional dos Policias Federais (Fenapef), entidade que representa mais de 14 mil policiais federais, pediu nesta quinta-feira, 10, ao Procurador-Geral da República (PGR), Augusto Aras, para que investigue conduta do ex-diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, e do delegado aposentado Edmílson Pereira Bruno.

Um empresário de bitcoins acusa  policiais civis e militares de São Paulo de o terem ameaçado e extorquido em R$ 2 milhões. Ele contou que chegou a escalar como intermediários em negociações com seus algozes o ex-diretor-geral da Polícia Federal delegado Leandro Daiello (2011 – 2017) e o ex-delegado da PF Edmilson Pereira Bruno, que, em 2006, prendeu os ‘aloprados do PT’ – grupo que teria tentado vender um dossiê com acusações contra o tucano José Serra.

O empresário diz que Daiello e Bruno agiram como seus ‘advogados’ e que os orientou que negociassem com os policiais para que o assunto ‘acabasse ali mesmo’. Em depoimento à Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, Daiello e Bruno confirmaram o encontro. O ex-diretor-geral da PF diz ter ficado ‘distante’ durante as tratativas, que também teriam envolvido advogados.

Interrogado, o empresário acusado de ser o mandante do crime afirmou que Edmilson Bruno, já aposentado, teria mostrado o distintivo e o ameaçado de prisão. Nesta quarta, 9, a Justiça de São Paulo manteve na prisão 12 indiciados. Daiello e Edmilson Bruno não são alvos da investigação da Polícia Civil.

Os delegados federais ressaltam que a empresa para a qual Daiello e Edmilson Bruno prestaram consultoria ‘é investigada pelo Ministério Público, acusada de fraude’.

Para o presidente da Fenapef, Luís Antônio Boudens, ‘se os fatos forem comprovados, expõem negativamente o bom nome da Polícia Federal em negociata e ganha contornos mais graves por envolver um ex-diretor-geral da instituição’.

“A federação espera que as relações entre os ex-delegados e empresas privadas sejam devidamente esclarecidas. A reputação da Polícia Federal, construída com o árduo trabalho dos policiais federais, não pode ser atingida por conta de ações de “consultoria”, prestadas fora do âmbito institucional e afastando-se dos limites éticos e legais”, diz a entidade.

COM A PALAVRA, O EX-DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL EDMILSON PEREIRA BRUNO

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Em relação a matéria “Daiello e delegado do ‘Escândalo dos Aloprados’negociaram com policiais acusados de sequestrar empresário” esclareço que:

“Eu, Edmilson Pereira Bruno, atuo na análise e investigação de gestão de risco, para diversas empresas.

No caso em questão, por ser ligado à empresa quando da ocorrência do fato e, tendo em vista o reconhecimento de minha expertise em investigação criminal, me foi solicitado a atuação investigativa privada, visando identificar os autores dos crimes relatados pelo empresário.

Durante o transcurso do processo investigativo, em virtude da complexidade dos fatos e dificuldades encontradas é que solicitei o auxílio do advogado Leandro Daiello Coimbra.

Quando concluída a investigação privada, os dados obtidos foram repassados aos advogados da empresa, para que pudessem informar às autoridades competentes do estado de São Paulo no sentido de complementar a representação criminal, feita anteriormente.”

Edmilson Pereira Bruno

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