Polícia vê ‘causa indeterminada’ para morte de executivo da Odebrecht que delatou Aécio e Lobão

Polícia vê ‘causa indeterminada’ para morte de executivo da Odebrecht que delatou Aécio e Lobão

Corpo de Henrique Valladares, ex-presidente da extinta Odebrecht Energia, foi encontrado em seu apartamento no Leblon nesta terça, 17

Pedro Prata e Fausto Macedo

18 de setembro de 2019 | 11h57

A Polícia do Rio investiga a morte do ex-presidente da extinta  Odebrecht Energia Henrique Serrano do Prado Valladares, delator da Operação Lava Jato que revelou supostas propinas para o deputado Aécio Neves (PSDB/MG) e para o ex-senador Edison Lobão (MDB/MA), ex-ministro dos Governos Lula e Dilma. O registro oficial da 14.ª Delegacia, no Leblon, aponta ‘causa indeterminada’. O corpo foi encontrado nesta terça, 17, no apartamento onde o delator morava. A polícia abriu uma guia de remoção para que os Bombeiros levassem o corpo ao Instituto Médico Legal.

Henrique Valladares. Foto: Reprodução

As primeiras investigações indicam que não havia sinais de arrombamento no apartamento, nem evidências de luta.

O corpo já foi necropsiado e liberado para a família.

Valladares foi apontado por outros delatores da empreiteira como um dos negociantes de R$ 30 milhões de propina para Aécio atuar a favor dos Projetos do Rio Madeira (Usinas Hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia) e, assim, atender interesses da empreiteira e também da Andrade Gutierrez.

Valladares contou que a empreiteira pagava prestações de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões, repassados pelo Setor de Operações Estruturadas, o departamento de propinas do grupo, para ‘Mineirinho’, codinome atribuído a Aécio.

Ex-senador Aécio Neves. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O delator também dedicou parte de suas revelações a Lobão, ou ‘Esquálido’, como o ex-ministro e ex-senador era rotulado nas planilhas de propinas da empreiteira.

Segundo Valladares, o ex-ministro recebeu R$ 5,5 milhões para rever o leilão da usina de Jirau e a Odebrecht assumisse o empreendimento.

O delator contou que ‘Esquálido’ teria cobrado uma ‘contrapartida’ após reunião com os executivos da empreiteira. “Ele sinalizava que iria nos ajudar. E que precisava de nossa ajuda, de propina”, declarou Valladares.

Segundo Valladares, o então presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, ‘acreditou nisso’.

“Sem que ele (Lobão) entregasse nada, simplesmente para que ele fizesse um esforço de, usando nossos argumentos, que eram verdadeiros e absolutamente legais, ele criasse um contraponto na Casa Civil, para isso surgiu um pagamento de R$ 5,5 milhões. Com certeza, caixa 2”, afirmou o delator.

O pagamento da propina, relatou Valladares, foi feito em algumas ocasiões, com entrega de dinheiro diretamente na casa do filho de Lobão, Márcio Lobão, no Rio.

Segundo Valladares, o ex-senador Edison Lobão teria recebido R$ 5,5 milhões para rever o leilão da usina de Jirau e a Odebrecht assumisse o empreendimento. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura disse, ainda, que em encontros em São Paulo, Lobão Filho falava que podia ‘ajudar a Odebrecht em obras, mas que isso exigia contrapartidas da empreiteira’.

Em suas reuniões com o ministro Lobão em Brasília, Valladares disse que era recebido no gabinete com gaspacho, uma tradicional sopa espanhola. “Ele é magro que nem um palito, e se alimenta a base de gaspacho”, disse Valladares.

Depois de acertar os pedidos e propinas, disse o delator, Lobão pedia para que o ‘fiscal’ entrasse no gabinete, para registrar os temas e discussões feitas durante o encontro.

Tanto o deputado Aécio Neves quanto o ex-ministro Edison Lobão sempre negaram enfaticamente a prática de ilícitos e o recebimento de propinas da Odebrecht.

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