Polícia prende Ronan e procura mais três por propinas na gestão Celso Daniel

Polícia prende Ronan e procura mais três por propinas na gestão Celso Daniel

Empresário do ABC paulista foi condenado a 14 anos de prisão por suposta ligação com esquema de corrupção no setor de transportes de Santo André na gestão do prefeito assassinado em 2002; também foram condenados o ex-vereador Klinger Oliveira Souza e outros dois réus, todos estes ainda foragidos, segundo o Ministério Público

Luiz Vassallo e Julia Affonso

17 Novembro 2017 | 19h24

Ronan Maria Pinto. Foto: Joedson Alves/AE

A Polícia de São Paulo prendeu nesta sexta-feira, 17, o empresário Ronan Maria Pinto, condenado a 14 anos de prisão por suposto envolvimento em esquema de corrupção instalado no setor de transportes públicos de Santo André, gestão do ex-prefeito Celso Daniel (PT), executado a tiros em janeiro de 2002.

A Polícia deu voz de prisão a Ronan no Hospital Albert Einstein, onde ele deverá ser submetido a uma cirurgia de hérnia. Seu advogado, Fernando José da Costa, informou que já recorreu.

A condenação de Ronan foi imposta na terça-feira, 14, pelos desembargadores da 3.ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo. O relator foi o desembargador Geraldo Wohlers.

Além de Ronan foram condenados o ex-vereador de Santo André Klinger Oliveira Sousa (17 anos de prisão), o empresário Humberto Tarcísio de Castro (5 anos) Luis Marcondes de Freitas Júnior (8 anos), este funcionário de uma associação de empresas de transportes acusada de recolher propinas de empresários do setor.

Celso Daniel. Foto: Itamar Miranda/AE

Klinger, Castro e Freitas Júnior não foram localizados ainda pela Polícia.

Todos já haviam sido condenados em primeira instância. As defesas e o Ministério Público recorreram ao TJ. Ao confirmar as condenações, a Corte decretou a prisão do grupo.

Esta denúncia foi a primeira da Promotoria contra o esquema instalado no governo Celso Daniel. As investigações foram realizadas pelo Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público. A força-tarefa era composta pelos promotores de Justiça Roberto Wider, Márcia Monassi, Amaro Thomé Filho (hoje, desembargador do TJ/São Paulo) e José Reinaldo Guimarães Carneiro.

O petista foi eliminado à bala em uma estrada de terra de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.

A Promotoria sustenta até hoje que Celso Daniel foi vítima de uma trama do próprio PT porque havia decidido dar um fim no esquema de corrupção que teria abastecido o caixa do partido. O PT nega.

O Tribunal de Justiça reconheceu existência de dois crimes de concussão – extorsão praticada por funcionário público, caso de Klinger, vereador à época.

A acusação por formação de quadrilha prescreveu.

Uma das vítimas da extorsão foi o empresário de ônibus Luiz Alberto Gabrilli, que denunciou a existência de uma caixinha mensal por parte do setor para manter suas frotas em circulação.

A partir da revelação dos Gabrilli, o Ministério Público de Santo André abriu caminho para uma devassa na administração Celso Daniel.

O desembargador relator apontou ‘meio cruel’ por parte dos acusados pela prática da concussão, atribuindo a morte de Gabrilli ao esquema que ele denunciou.

A Promotoria sustenta que Gabrilli sofreu coação para abastecer a caixinha do ônibus de Santo André.

Os investigadores descobriram que a gestão do petista teria sido tomada de assalto por um grupo de empresários.

As investigações apontaram para o suposto envolvimento do ex-ministro José DIrceu (Casa Civil/Governo Lula), mas na época o ministro Nélson Jobim, então no Supremo Tribunal Federal, vetou pedido da Procuradoria-Geral de Justiça para investigar o petista.

O promotor de Justiça Roberto Wider, que integrou a equipe do Ministério Público que investigou corrupção na gestão Celso Daniel, considera importante a condenação pelo Tribunal de Justiça, mas fez uma ressalva. “É um tempo extraordinárioio para se ter uma decisão em um caso de corrupção (a denúncia é de 2002). Esse caso de corrupção é precursor do Mensalão e do Petrolão. Lamentavelmente, o Ministério Público não pôde desenvolver uma investigação com relação a José Dirceu. Se o Ministério Público tivesse obtido autorização para investigar (Dirceu), talvez os escândalos posteriores, como o Mensalão e o Petrolão, não tivessem a dimensão que tiveram.”

Para Wider, o veto à investigação sobre Dirceu ‘causou um prejuízo para o País, a sensação de impunidade gerou um esquema nacional’.

“Tínhamos um esquema bem consolidado de corrupção em Santo André que envolvia quase toda a gestão à época.”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE RONAN MARIA PINTO

Por meio de sua Assessoria de Imprensa, o empresário informou.
“Ronan Maria Pinto está internado no hospital Albert Einstein para uma operação grave, e de emergência. Quanto à decretação da prisão, o advogado informou que já recorreu da decisão.”

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