Polícia prende mulheres que, por ‘milagre de cura’, desligaram aparelhos que mantinham irmão vivo

Polícia prende mulheres que, por ‘milagre de cura’, desligaram aparelhos que mantinham irmão vivo

De acordo com a Polícia de Guanambi, sudoeste da Bahia, irmãs evangélicas alegaram que 'tiveram a visão de que o paciente iria se curar', mas ele morreu'

Marina Aragão e Milena Teixeira, especiais para O Estado

02 de novembro de 2019 | 10h26

Foto: Pixabay

Duas mulheres foram presas na cidade de Guanambi, sudoeste da Bahia, após desligarem os aparelhos que mantinham o irmão vivo na cama de um hospital. Almiro Pereira Neves, de 43 anos, estava internado devido a complicações de cirrose – ele foi diagnosticado com etilismo, pneumonia aspirativa e hemorragia subaracnóidea.

De acordo com a Polícia Civil, as irmãs Marliete Pereira Neves, 41, Zelita Pereira Neves, 32, que são evangélicas, cometeram o ato na sexta-feira, 25, ‘acreditando se tratar de um milagre de cura’.

Elas alegaram que, durante uma reunião de orações ‘tiveram uma visão de que o irmão estava curado’.

Ainda segundo a polícia, as duas entraram no Hospital Regional de Guanambi, que pertence à rede estadual, e desligaram o aparelho. Em seguida, mandaram o irmão levantar, mas ele não reagiu. A morte de Almiro foi constatada instantes depois.

Policiais Militares informaram à reportagem do Estado que prenderam as duas mulheres em flagrante por volta de 21h40. Outro homem, que estava com elas, foi ouvido e liberado.

As irmãs foram levadas para a delegacia da cidade e, conforme a polícia, tiveram as prisões em flagrante convertidas em preventiva.

COM A PALAVRA, A SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DA BAHIA

Em nota, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) ‘lamentou o falecimento do paciente’ e informou que a vítima ‘estava na emergência do hospital e que, por isso, poderia receber visitas’.

“A Sesab esclarece que o mesmo se encontrava na emergência do hospital e similar ao que acontece em qualquer unidade de saúde, não há restrições de acesso aos familiares. As irmãs foram presas em flagrante e o caso está sendo investigado pela polícia civil”, afirmou o órgão.

COM A PALAVRA, AS IRMÃS

A reportagem busca contato com a defesa de Marliete Pereira Neves e Zelita Pereira Neves. O espaço está aberto para manifestação.

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