Polícia prende grupo por golpe de contas de internet e de telefonia contra prefeituras

Polícia prende grupo por golpe de contas de internet e de telefonia contra prefeituras

Força-tarefa da Polícia Civil de São Paulo e de Guarapuava (PR) cumpriu dois mandados de prisão preventiva e sete de busca domiciliar contra esquema que lesou ao menos 17 municípios

Pedro Prata

04 de outubro de 2019 | 06h10

A Polícia Civil de São Paulo e de Guarapuava (PR) deflagraram operação contra uma organização criminosa que aplicou golpes de contas de internet e telefonia falsos contra ao menos 17 prefeituras, além da Assembleia Legislativa do Pará e a Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Foram expedidos sete mandados de busca domiciliar e dois de prisão preventiva para colher provas da fraude criminosa que tinha como alvos principalmente órgãos públicos.

Os dois mandados de prisão preventiva foram cumpridos por volta das 6h da terça, 1. Nos endereços diligenciados foram apreendidos três celulares, um roteador, um notebook, dois pendrives, documentos impressos e R$ 1204,00, quantia que um dos investigados admitiu informalmente ter ‘origem ilícita’.

Os presos foram escoltados para a Cadeia Pública de Presidente Venceslau. Eles vão ser interrogados e indiciados.

Os crimes investigados são estelionato, associação criminosa, falsidades documentais e lavagem de capitais, informou a Polícia Civil de São Paulo.

“Em resumo, os estelionatários falsificaram faturas de telefonia e de serviços de internet, alterando seus códigos de barras e enviando-as por contas de e-mail que pareciam ser legítimas.”

Os presos foram escoltados para a Cadeia Pública de Presidente Venceslau. Eles vão ser interrogados e indiciados. Foto: Polícia Civil/Divulgação

Pessoas ainda não identificadas pela Polícia acessavam as informações de faturas eletrônicas e de serviços de internet dos alvos em potencial.

Os criminosos, então, ‘comunicavam às vítimas que teria sido verificado no sistema o pagamento de determinada fatura daquele cliente e que teria sido paga com um valor maior.

Grande parte das faturas informadas aos clientes de fato correspondia aos valores pagos e datas de vencimento. Em continuidade, para ‘ganhar a confiança das vítimas’, o grupo informava que havia um crédito e que poderia ser utilizado para abatimento.

Solicitava que as vítimas fornecessem um endereço de e-mail para que pudesse ser enviado as próximas faturas, com os valores corrigidos e concedendo o falso desconto.

Na verdade, as faturas enviadas por e-mail continham código de barras adulterados, que direcionavam os valores para contas bancárias de instituições financeiras de menor porte.

Foto: Polícia Civil/Reprodução

Até esta terça, 1, haviam sido identificados golpes contra as prefeituras de Ataliba, Avaré, Cravinhos, Descalvado, Eldorado, Embuguaçu, Itapira, Jarinu, Leme Ribeirão Pires, Santa Fé do Sul, Santa Rita do Passa Quatro, São Caetano do Sul, Socorro, Teodoro Sampaio, Valparaíso e Vinhedo.

Entre 29 de dezembro de 2017 e 25 de abril de 2018 foram emitidos boletos de cobrança contra estas prefeituras no valor total de R$ 925.233,87.

Em apenas uma conta bancária utilizada pelos estelionatários foi identificada a movimentação de R$ 465.980,23 entre 15 de dezembro de 2017 e 3 de maio de 2018.

Foto: Polícia Civil/Reprodução

Segundo a Polícia, também foram vítimas dos golpes a Assembleia Legislativa do Estado do Pará, a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Universidade Brasil, a Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo (Codasp), a Companhia Paulista de Obras e Serviços do Estado de São Paulo (CPOS), a Minerva Foods MG, a Transunião Transportes S.A. e a Usina Conquista do Pontal SP.

“O valor aproximado do prejuízo resultante das fraudes praticadas ainda depende da identificação de todas as contas bancárias utilizadas pelos investigados”, informou a Polícia Civil.

“Além disso, acredita-se no envolvimento de outros indivíduos e no surgimento de outras vítimas, que ainda não tinham conhecimento do golpe, já que a cobrança pelas credoras pode demorar.”

Tendências: