Polícia prende cabo bombeiro no Rio por ocultar provas do assassinato de Marielle e Anderson

Polícia prende cabo bombeiro no Rio por ocultar provas do assassinato de Marielle e Anderson

Segundo o Ministério Público do Rio, Maxwell Simões Correa ‘atrapalhou de maneira deliberada’ as investigações da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes; ele teria cedido veículo para ‘guardar vasto arsenal bélico’ de Ronnie Lessa para que depois o armamento fosse jogado ao mar

Caio Sartori / RIO

10 de junho de 2020 | 08h22

Marielle Franco. Foto: Renan Olaz/CMRJ-21/2/2018

Agentes do Ministério Público do Rio, da Corregedoria do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil prenderam na manhã nesta quarta-feira, 10, mais um acusado de obstruir as investigações dos assassinatos da ex-vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O cabo bombeiro Maxwell Simões Correa teria atrapalhado “de maneira deliberada” as investigações. Ele se soma a outras quatro pessoas já encarceradas pelo mesmo motivo.

Segundo as investigações, no dia 13 de março de 2019, um dia depois das prisões dos ex-policiais Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, supostos autores dos crimes, Maxwell e os outros quatro ajudaram a ocultar armas de fogo e acessórios que pertenciam a Lessa. Os objetos, que seriam pistas cruciais para a apuração do caso, estavam armazenados em um apartamento no bairro do Pechincha, zona oeste do Rio, utilizado pelo ex-policial, e também em locais ainda desconhecidos.

Segundo o Ministério Público, Maxwell cedeu um veículo, entre os dias 13 e 14 de março de 2019, para Lessa guardar seu vasto arsenal bélico – que depois seria descartado em alto mar.

Além do mandado de prisão, a operação batizada de Submersus 2 cumpriu mandados de busca e apreensão em dez endereços na cidade do Rio ligados a Maxwell e aos outros quatro investigados, presos durante a operação Submersus: Elaine Pereira Figueiredo Lessa, esposa de Ronnie; Bruno Pereira Figueiredo, cunhado dele; José Marcio Mantovano; Josinaldo Lucas Freitas.

“A obstrução de Justiça praticada pelo denunciado, junto aos outros quatro denunciados, prejudicou de maneira considerável as investigações em curso e a ação penal deflagrada na ocasião da operação ‘Submersus’, na medida em que frustrou cumprimento de ordem judicial, impedindo a apreensão do vasto arsenal bélico ali ocultado e inviabilizando o avanço das investigações”, ressaltou o MP.

Os investigadores também afirmaram que o fato de a arma de fogo utilizada no crime ainda não ter sido localizada está ligado à ocultação praticada por Maxwell e os outros quatro presos.

Ao jornal O Globo, o delegado Antônio Ricardo Lima Nunes, titular do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP), disse que espera prender ainda neste ano os mandantes do assassinato da vereadora.

“Estamos trabalhando sem descanso para prender os mandantes desse crime. Ao longo dessa investigação já prendemos mais de 65 pessoas, apreendemos dezenas de armas e já existem diversas investigações que se desdobraram. Acreditamos que iremos solicitar esse caso ainda neste ano”, afirmou.

A operação de hoje também é considerada importante por outro motivo: trata-se de uma vitória para os defensores da permanência das investigações no Rio. No dia 27 de maio deste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), indo na linha do que defendem a família e ex-aliados de Marielle, negou a federalização do caso.

A vereadora e o motorista foram assassinados em março de 2018 na região central do Rio. Quinta candidata mais votada na eleição municipal de 2016, ela cumpria seu primeiro mandato no Palácio Pedro Ernesto.

“A prisão do bombeiro Maxwell Corrêa hoje é mais um passo importante dado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do RJ nas investigações sobre os assassinatos de Marielle e Anderson. Descobrir os mandantes da execução é crucial para a democracia. Quem mandou matar Marielle?”, escreveu no Twitter o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), principal padrinho político da vereadora.

Tudo o que sabemos sobre:

Marielle Franco

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: