Polícia mira secretário Jurídico de Campinas e dono do Correio na Operação Ouro Verde

Polícia mira secretário Jurídico de Campinas e dono do Correio na Operação Ouro Verde

Terceira fase da investigação cumpre oito mandados de prisão e onze de buscas sobre fraudes e desvio de R$ 2 milhões da área da saúde no município do interior de São Paulo; entre os alvos de mandado de prisão temporária estão o secretário Silvio Bernardin, e o diretor-presidente do Grupo RAC, Sylvino de Godoy Neto

Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

22 Novembro 2018 | 12h15

Silvio Bernardin (ao centro). Foto: Fernanda Sunega/Prefeitura de Campinas

O Ministério Público e o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar investigam suposto envolvimento do secretário dos Negócios Jurídicos de Campinas Silvio Bernardin, e do diretor-presidente do Grupo RAC (Rede Anhanguera de Comunicação), que edita o Correio Popular, Sylvino de Godoy Neto, em um esquema de fraudes e desvio de R$ 2 milhões da área da saúde. Nesta quinta, 22, foi deflagrada a terceira fase da Operação Ouro Verde, denominada ‘Reação’. Bernardin e Godoy são alvo de mandado de prisão temporária.

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O governo Jonas Donizette (PSB), prefeito de Campinas, informou, em nota, que exonerou o secretário dos Negócios Jurídicos, ‘a pedido’. A Prefeitura é alvo de buscas.

Trecho da decisão da Justiça na 3ª fase da Operação Ouro VerdeTambém estão entre os alvos da nova etapa da operação quatro empresários e dois ex-diretores do Hospital Ouro Verde. Os supostos desvios teriam ocorrido por meio de contratação dirigida de fornecedores do hospital em valores superfaturados e pagamento de propinas a servidores públicos.

Sylvino de Godoy Neto foi levado para um hospital de Campinas. Segundo informação divulgada no Correio, ele passou por uma intervenção cardíaca na segunda-feira, 19.

A investigação é conduzida por promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público do Estado. Além de mandados de prisão, os promotores e a Polícia cumprem onze mandados de busca e apreensão em Campinas, Jundiaí, Serra Negra e São Paulo.

Entre os investigados está o empresário Thiago Pena, diretor da organização social Vitale, que administrou o hospital.

A Operação Ouro Verde, deflagrada no dia 30 de novembro, encontrou em sua primeira etapa a fortuna de R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo na casa de um servidor público de Campinas, a cem quilômetros da capital São Paulo. O servidor disse, na época, que o dinheiro era ‘oriundo da venda da fazenda de seu tio’.

A investigação aponta que um grupo por trás da organização social Vitale, que administra o Hospital Ouro Verde, usa a entidade, que não deveria ter fins lucrativos, para obter indevida vantagem patrimonial.

COM A PALAVRA, A PREFEITURA DE CAMPINAS

“O prefeito de Campinas, Jonas Donizette, exonera hoje do cargo de secretário de Assuntos Jurídicos, Silvio Bernardin, a pedido do mesmo, para exercer o direito inalienável de todo cidadão garantido pela Constituição Federal de exercer o amplo direito de defesa. A Prefeitura de Campinas reitera, de forma veemente, sua disposição de contribuir com a Justiça, como tem feito desde o início das apurações, tomando medidas administrativas assertivas, sempre diante dos fatos.”

SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO/PREFEITURA DE CAMPINAS

COM A PALAVRA, A DEFESA DE SYLVINO

O advogado Ralph Tortima Stettinger Filho, que defende o diretor-presidente do Grupo Rac, afirmou que todos os fatos que embasaram a medida contra seu cliente já eram conhecidos antes da deflagração da primeira fase da operação e que as prisões não se justificam. Segundo a defesa, Godoy e o filho Gustavo sempre que requisitados prestaram informações e forneceram dados para as investigações. O advogado disse que o cliente passou por uma cirurgia cardíaca na segunda-feira e que se sentiu mal no momento do cumprimento da ordem de prisão, tendo sido internado na sequência.

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