Polícia investiga trote da Medicina Veterinária da Federal do Paraná que deixou 20 estudantes com queimaduras graves nas costas

Polícia investiga trote da Medicina Veterinária da Federal do Paraná que deixou 20 estudantes com queimaduras graves nas costas

Na noite desta sexta-feira, 1, foram soltos, após pagamento de fiança, três dos quatro presos em flagrante pela violência ocorrida provavelmente com uso de creolina na quarta, 30, próximo ao Campus Palotina, região oeste do Estado; UFPR informa que está empenhada na apuração rigorosa para punição dos autores

Redação

02 de abril de 2022 | 11h47

Ao menos três dos quatro estudantes da Universidade Federal do Paraná acusados de constrangimento ilegal e lesão corporal durante trote violento deixaram a prisão nesta sexta-feira, 1, após cada um pagar fiança de R$ 10 mil. O caso aconteceu na quarta-feira, 30, com alunos do curso de Medicina Veterinária, campus Palotina, no oeste do Estado. Em nota divulgada no site oficial da instituição, a UFPR informou que “está dedicada na apuração rigorosa para a punição dos autores envolvidos”. Cerca de 20 estudantes sofreram queimaduras graves na região das costas. 

Um dos estudantes atingidos pela substância com queimaduras nas costas e na nuca. Foto: Reprodução/ Internet

Os suspeitos foram presos em flagrante. De acordo com informações confirmadas pelo Estadão, se trata de uma mulher de 23 anos e três homens de 21. Durante o trote, os acusados teriam jogado um produto nos corpos das vítimas, o que teria ocasionado as queimaduras. No terreno baldio, localizado a 100 metros da entrada do campus, foram encontradas garrafas com creolina, mas ainda não foi certificado se esta foi a substância utilizada. 

Nesta sexta-feira, 1, as vítimas realizaram corpo de delito no IML. Conforme nota da UFPR, os jovens foram acompanhados por “psicólogos e assistentes sociais da universidade acompanharam os estudantes”. Ainda segundo o comunicado da instituição, a partir da segunda-feira, 4, os alunos lesionados devem iniciar um tratamento dermatológico. Eles sofreram queimaduras de primeiro e segundo graus. 

Vista aérea do campus Palotina, localizado no oeste do Estado. Foto: Divulgação/ UFPR

A Polícia Civil do Paraná está investigando o caso e nos próximos dias deve apurar se houve os crimes de tortura e cárcere privado. “A instituição ainda incentiva e estimula o combate e a denúncia de atitudes agressivas e discriminatórias”, reafirmou a universidade em nota.

A reportagem do Estadão não conseguiu contato com as defesas dos acusados. O espaço está aberto para manifestação. 

COM A PALAVRA, A UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ 

“A Universidade Federal do Paraná (UFPR) está extremamente mobilizada e atenta aos desdobramentos do lamentável e chocante episódio ocorrido com seus estudantes na última quarta-feira (30), em Palotina. Neste momento, o atendimento e o acolhimento das vítimas são prioridades da instituição.

Nesta sexta-feira (1º), psicólogos e assistentes sociais da universidade acompanharam os estudantes nos exames de corpo de delito, realizados pelo Instituto Médico Legal (IML). No início da próxima semana, médicos dermatologistas, docentes do Campus Toledo da UFPR, iniciarão atendimentos individualizados com as vítimas para o tratamento mais adequado das lesões. A Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) está em contato com os familiares dos alunos para orientações, esclarecimentos e acolhimento.

A UFPR também está dedicada na apuração rigorosa para a punição dos autores envolvidos e salienta que não tolera nenhum tipo de violência, seja ela física, verbal ou simbólica.

A universidade adota a posição institucional do trote sem violência e, desde 2017, promove campanhas anuais de conscientização dos alunos no sentido de que a recepção dos calouros deve ser um momento de alegria e integração com os veteranos. A instituição ainda incentiva e estimula o combate e a denúncia de atitudes agressivas e discriminatórias.

O estudante ou membro da comunidade que presenciar qualquer ato violento, discriminatório ou constrangedor com relação à recepção dos calouros pode realizar denúncia pelo telefone 41-984021131.”

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