Polícia investiga seguranças do Bourbon por barrar menino negro acompanhado da mãe

Polícia investiga seguranças do Bourbon por barrar menino negro acompanhado da mãe

Mulher relata à Delegacia de Perdizes, em São Paulo, que menino foi 'confundido' com pedinte; shopping afirma que 'repudia qualquer forma de racismo ou ato discriminatório'

Luiz Vassallo

27 de setembro de 2019 | 16h08

Reprodução

A Polícia Civil de São Paulo apura um suposto caso de racismo no Shopping Bourbon, na Zona Oeste da capital. Uma mulher afirmou que seu filho negro foi barrado por seguranças do estabelecimento por ser confundido com um pedinte.

Segundo consta no boletim de ocorrência, nesta quarta-feira, 25, a mulher havia saído de um Mc Donald’s nas redondezas, e entrou com sua filha e seu filho no shopping.

Reprodução

No caminho, a menina, de dois anos, teria deixado cair um brinquedo no chão do lado de fora, e o menino voltou para buscar e devolver á irmã.

Na volta, foi ‘barrado por um segurança’, segundo a testemunha. O menino pediu licença para entrar e o segurança teria dito ‘não’.

Segundo a mãe, ‘ficou impedindo a entrada dele no shopping center, juntamente com outro segurança não identificado’.

A mãe disse ter percebido então ‘o que que ocorria e foi questionar os seguranças, os quais apenas pediram desculpas e disseram que nas redondezas há muitas crianças que vão no local para pedir dinheiro e acharam que ele estaria sozinho e na mesma situação’.

O caso, ocorrido na área do 23.º Distrito Policial de Perdizes, foi registrado como crime de racismo, na Delegacia de Crimes Raciais e Intolerância.

Para o advogado Ariel de Castro Alves, conselheiro do Condepe (Conselho Estadual de Direitos Humanos), trata-se de ‘um caso grave de racismo e discriminação social e econômica’. “Estamos sim num País Racista. O menino ficou abalado e constrangido com a situação e disse que foi o pior dia da vida dele. E se fosse mesmo um menino em situação de rua e abandonado? Não poderia entrar no shopping? A Constituição Federal proíbe qualquer forma de discriminação”.

COM A PALAVRA, O SHOPPING BOURBON

“Com relação ao episódio, a empresa informa que os seguranças agiram em conformidade à orientação de abordar qualquer menor de idade desacompanhado que ingresse no shopping, e reforça que a atitude dos profissionais visa única e exclusivamente à proteção deste público.

A empresa ressalta que repudia qualquer forma de racismo ou ato discriminatório.”

Tudo o que sabemos sobre:

shopping bourbonRacismosegurança

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.