Polícia investiga ‘incitação a homicídio’ contra Doria em manifestação na Paulista

Polícia investiga ‘incitação a homicídio’ contra Doria em manifestação na Paulista

Defesa do governador apresentou queixa-crime contra o advogado Marcelo Pegoraro após declaração sobre morte do tucano

Paulo Roberto Netto e Fausto Macedo

13 de abril de 2020 | 19h09

Atualizada às 15h33 de 15 de abril com a manifestação da defesa do advogado Marcelo Pegoraro

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), apresentou notícia-crime nesta segunda, 13, contra o advogado Marcelo Pegoraro, que fez ameaças de morte contra o tucano durante manifestação na Avenida Paulista no último sábado, 11. Segundo a defesa de Doria, Pegoraro cometeu os crimes de ameaça, injúria e incitação ao homicídio. A Polícia Civil irá apurar o caso.

Durante o ato, o advogado bolsonarista utilizou caixas de som para falar que Doria ‘vai morrer’ e que ‘a gente vai lá na tua casa e vamos quebrar sua casa inteira’, além de chamar o governador de ‘filha da puta’. O discurso foi gravado e divulgado em redes de apoio ao presidente durante o fim de semana.

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Pegoraro é militante do Aliança Pelo Brasil, organização política criada por Bolsonaro e ainda em processo de formalização como partido político perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nas redes sociais, o advogado divulgou publicações e imagens a favor do presidente.

“Ao afirmar ‘cê vai morrer, filha da puta’, referindo-se ao noticiante, o indivíduo que aparece no vídeo incitou que terceiros atentem contra a vida do governador do Estado de São Paulo”, alega a defesa do tucano, representada pelo advogado Fernando José da Costa.

De acordo com Costa, ‘não restam dúvidas’ que Pegoraro tinha objetivo de divulgar e espalhar suas ameaças ao gravar o vídeo em plena Avenida Paulista.

“Tal circunstância corrobora a existência do ‘dolo’ em sua conduta, consistente na ‘consciência’ e ‘vontade’ de ameaçar o noticiante, incitar à população a praticar crimes e descumprir as medidas de contenção à propagação do covid-19”, afirma o advogado Fernando José da Costa, que representa Doria.

O governador de São Paulo, João Doria, durante coletiva sobre o coronavírus no Estado. Foto: Governo de SP / Divulgação

Segundo a defesa do tucano, Doria se tornou alvo de críticas após adotar medidas de prevenção ao novo coronavírus, como o isolamento social e a quarentena. “Tais medidas motivaram o Presidente da República a tecer diversas críticas a tal postura”, anotou.

Fernando José da Costa apontou que é ‘inegável’ o intento de Pegoraro em incentivar a ação de outras pessoas em crimes contra o governador. Segundo ele, os vocábulos ‘a gente’ e ‘o pessoal’ usados no discurso do advogado são utilizados para ‘reforçar a ideia de coletividade’ e ‘estimular demais pessoas a aderirem a conduta’.

A defesa de Doria destacou que o governador não é o único morador da residência.

“Nestes termos, a gravidade dos dizeres extrapola a própria figura do governador”, afirmou Costa. “É certo que a ameaça a eventual ‘depredação’ incorre na probabilidade de ocorrência de tumultos e confrontos, que é absolutamente plausível, gerando também preocupação à própria segurança do peticionário e de seus familiares”.

COM A PALAVRA, OS ADVOGADOS MARCOS MANTEIGA E JAIRO GLIKSON, QUE DEFENDEM MARCELO PEGORARO

As notícias veiculadas neste conceituado veículo de comunicação em desfavor do nosso cliente, são infundadas e eivadas de vitimização, daquele que quer passar de vilão à mocinho, isso mesmo: o Governador Dória na semana passada efetuou outro boletim de ocorrência, se dizendo ameaçado de morte, abusando da sua autoridade, quando destacou mais de 5 (cinco) viaturas por 24 (vinte e quatro) horas nos arredores de sua residência na Rua Itália, Jd Europa, nesta Capital, envolvendo nisso mais de 30 (trinta) homens da Polícia Militar, além dos que ele já tem direito como Governador, tirando essa segurança do Povo para privilégios pessoais, e agora vem imputar ao Dr Pegoraro a culpa, que ele mesmo fez incitar que o Povo realizasse manifestações espontâneas em seu desfavor, aos gritos de “Fora Dória”, quando disse na última sexta-feira (10/04/2020), que se não fosse atingida a meta de reclusão domiciliar contra o Convid-19, ele iria mandar prender quem estivesse na rua, querendo agora ser o mocinho!

Além de Dória cometer ilícitos, com as quebras de sigilos telefônicos, sem autorização judicial, para rastrear os Paulistas, cuja ação é denominado ato de improbidade administrativa, cometida por quem sempre diz ser gestor e que seu objetivo era “acelerar São Paulo”, vem mostrando inexperiência, incapacidade de gestão, gerando caos no Estado, quando no calor destas provocações, num ato isolado de protesto, Pegararo (naquele momento ele estava como cidadão e não como advogado), expôs seus protestos, contra os atos abusivos, ditatoriais, do Governador contra o Povo Paulista, provocando uma ira geral. Não pode o vilão virar mocinho. Isso é coisa de “Almofadinha”, como vem sendo chamado o Governador Dória nas redes sociais. O recado que temos é que: “quem é vidraça corre o risco de levar pedras”. Então Governador: se preocupe com isso, e dê atenção ao Estado de São Paulo, que está desacelerando! Está na berlinda!

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