Polícia indicia 30 por fraude em concurso para delegado em Goiás

Polícia indicia 30 por fraude em concurso para delegado em Goiás

Entre os enquadrados por organização criminosa, falsidade ideológica, corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro estão oito vendedores de vagas, catorze candidatos e outros oito alvos da Operação Porta Fechada

Julia Affonso

29 Novembro 2017 | 05h00

Foto: Clinton Cardozo/Free Images

A Polícia Civil de Goiás indiciou 30 investigados na Operação Porta Fechada, que investiga fraude em concurso público. Na lista estão oito vendedores de vagas, 14 candidatos e outros oito alvos da ação, sob suspeita de organização criminosa, falsidade ideológica, corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

MAIS PORTA FECHADA: + Estudante da Medicina diz à Polícia que concluiu redação do Enem em posto de gasolina

Mulher deu casa de R$ 800 mil por vaga em concurso de delegado e Enem para filha, diz Polícia

Polícia identifica 18 estudantes em agenda de fraudador do Enem/16

+ ASSISTA: Vídeo de sala-cofre flagra fraudador de concursos para delegado trocando cartões-resposta

A investigação mira a venda de vagas no concurso público para delegado de Polícia Substituto do Estado de Goiás, executado pelo Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe- organização social) e pela Secretaria de Gestão e Planejamento do Estado de Goiás (Segplan).

Durante a apuração, os policiais acharam indícios de fraude no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2016.

O compradores de vaga entregavam as folhas respostas em branco ou com apenas poucas questões preenchidas.

No dia seguinte à aplicação da prova um funcionário do Cebraspe, Ricardo Nascimento da Silva, pegava os cartões respostas, preenchia o documento à noite, quando já era possível acessar os gabaritos na área do candidato, e os devolvia para digitalização e conferência de erros e acertos.

De acordo com a Polícia, em 6 de fevereiro, Nascimento pegou os cartões respostas de, ao menos, 16 candidatos que haviam entregue os papeis praticamente em branco por ‘orientação’ do esquema.

Após o preenchimento de 13 desses cartões respostas, Nascimento os devolveu ao Cebraspe no dia seguinte, para digitalização e conferência de erros e acertos.

Os outros três cartões respostas, segundo a Polícia, não foram preenchidos por ‘desacordo’ entre aliciadores e candidatos sobre o pagamento, motivo pelo qual estes não foram aprovados.

COM A PALAVRA, O CEBRASPE

Quando a fraude foi revelada pela Polícia Civil, o Cebraspe se manifestou dessa forma:

O advogado Marcus Vinicius Figueiredo, que defende o Cebraspe, informou que o órgão tem atuado junto à Polícia Civil desde o início das investigações. Segundo o defensor, o Centro entregou documentação e filmagens à Polícia.

Figueiredo declarou que o Ricardo Nascimento Silva não é funcionário do Cebraspe desde março. O advogado afirmou que o ex-funcionário foi desligado por quebra de padrão de comportamento.

Mais conteúdo sobre:

Polícia Civil