Polícia Federal diz que Tuma Júnior não atendeu a intimação para depor

Em nota, corporação afirma que ex-delegado foi conduzido coercitivamente nesta terça feira, 5, para esclarecer sobre trechos do livro "Assassinato de Reputações - Um Crime de Estado"

Lilian Venturini

05 de agosto de 2014 | 18h09

Fausto Macedo

 

A Polícia Federal informou nesta terça feira, 5, que o ex-delegado da Polícia Civil, Romeu Tuma Júnior, foi conduzido coercitivamente para depor na sede da Superintendência Regional da corporação em São Paulo sobre o livro de sua autoria, “Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado”.

Em nota, a PF destacou que recebeu representação do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) “com reportagem da Revista Veja noticiando supostos crimes narrados no livro”. No livro, Tuma Júnior afirma que o governo do PT montou uma fábrica de dossiês contra desafetos.

Segundo a PF, desde o mês de fevereiro, Tuma Júnior foi intimado “diversas vezes, inclusive por meio de sua advogada, para que pudesse esclarecer os fatos mencionados na obra”.

O texto divulgado pela PF destaca que foi determinada “condução coercitiva para que Tuma Júnior comparecesse na Superintendência em São Paulo e prestasse informações que auxiliassem na investigação”

“O depoimento foi realizado e a testemunha logo após liberada”, informa a PF.

Tuma ficou cerca de 40 minutos na Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários, mas afirma que não respondeu a nenhuma pergunta porque já havia prestado esclarecimentos anteriormente, por escrito.

Segundo ele, quatro agentes da PF chegaram às 10h30 em seu escritório. “Os policiais entregaram uma intimação para que eu fosse depor à tarde. Mas, ao mesmo tempo, informaram que vieram ao meu escritório para cumprir mandado de condução coercitiva”, disse o ex-delegado.

“Não tem cabimento, é um negócio maluco”, disse Tuma Júnior. “Chegam quatro policiais com mandado de condução assinado por um agente. Aqui é escritório de advocacia, sou advogado, aqui tem regra. Tinham que comunicar a Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil.”

Tuma Júnior disse que não foi na viatura da PF. “Fui com o meu carro, eu mesmo dirigindo. Não permiti que me conduzissem.”

O ex-delegado garante que atendeu intimação da PF em duas oportunidades anteriores, que jamais se esquivou de depor. “Ocorre que eles não quiseram me ouvir nas duas vezes em que lá estive. Eu tenho certidão do escrivão (da PF) dizendo que eu estava dispensado. Ainda assim fui no dia que eu estava dispensado. Não tomaram o meu depoimento. Eu quis saber sobre o que ia depor. Disseram que os autos estavam em Brasília e que tomariam meu depoimento por vídeo conferência. Respondi tudo por ofício e mandei entregar, está lá no inquérito.”