Polícia e Promotoria do Rio prendem cinco em operação contra desvios na saúde

Polícia e Promotoria do Rio prendem cinco em operação contra desvios na saúde

Marcio Dolzan / Rio e Pepita Ortega/São Paulo

23 de julho de 2020 | 08h42

Prédio do Iabas no Rio. Foto: Reprodução/Google Street View

O Ministério Público do Rio e Polícia Civil deflagraram nesta quinta, 23, uma operação para cumprir cinco mandados de prisão contra dirigentes Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas). Eles são acusados de cometerem crimes de peculato e lavagem de dinheiro em contratos na área da saúde. A suspeita é de desvios de mais de R$ 6 milhões apenas com a Prefeitura do Rio, mas o grupo é investigado também por contratos com os estados do Rio de Janeiro e de Mato Grosso do Sul, além da capital paulista.

Os agentes do Gaeco fluminense cumprem mandados de prisão contra o empresário Luis Eduardo da Cruz, acusado de ser administrador oculto da organização social; sua mulher, Simone Amaral da Silva Cruz; Adriane Pereira Reis, apontada como testa de ferro do casal; Marcos Duarte da Cruz, meio-irmão de Luis; e Francesco Favorito Sciammarella Neto, também empresário, suposto participante do esquema.

Segundo a Promotoria, as ordens contra Luis Eduardo, Simone, Marcos e Franceso já foram cumpridas. Os dois primeiros foram presos em São Paulo. O mandado contra Adriane segue aberto.

A operação cumpriu ainda mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos denunciados e a outros fornecedores da organização social. As ações foram realizadas no Rio de Janeiro e em São Paulo.

De acordo com a denúncia, após a organização social receber verba pública para a prestação de serviços, elas contratavam empresas pré-selecionadas comandadas pelo próprio grupo. Os pagamentos ainda seriam superfaturados.

Além da capital fluminense, o Iabas fechou contratos com os estados do Rio de Janeiro e de Mato Grosso do Sul e com o município de São Paulo. A organização social já foi alvo da Operação Placebo, no fim de maio, que apura irregularidades na gestão de hospitais de campanha no Estado do Rio.

COM A PALAVRA O IABAS

O Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (IABAS) informa que na manhã de hoje sua sede foi alvo de uma operação de busca e apreensão relativa a contratos de gestão com a Prefeitura do Rio de Janeiro, que não estão mais vigentes. A investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro não abrange os contratos dos hospitais de campanha com o governo do Rio de Janeiro nem os contratos mantidos com a Prefeitura de São Paulo e o governo do Mato Grosso.

O IABAS está colaborando com as autoridades, mas ressalta que mantém estritos padrões de comportamento ético e legal e que presta regularmente contas de suas ações aos órgãos de controle das entidades contratantes e aos Tribunais de Contas. Todas as suas prestações de contas relativas aos contratos com a Prefeitura do Rio foram aprovadas, apenas as informações de 2019 ainda estão sob análise.

O instituto aguarda o desenvolvimento das investigações para saber o que há de concreto nas ilações apresentadas pelo Ministério Público do Rio.

Por fim, o IABAS ressalta que Luiz Eduardo Cruz não possui mais nenhuma relação com o instituto desde setembro de 2017. A direção do IABAS desconhece que qualquer empresa ligada à família de Luiz Eduardo Cruz mantenha contrato com a instituição.

COM A PALAVRA, A SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE

Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) afirmou que “a Iabas foi desqualificada na gestão do prefeito Marcelo Crivella, que, ao assumir, herdou a contratação da gestão do prefeito anterior”. Segundo a secretaria, “o motivo da desqualificação foi má gestão dos recursos públicos, gerando desassistência aos usuários”. Ela ocorreu no fim de abril do ano passado, sendo que a Prefeitura ainda multou o instituto em R$ 27,9 milhões.

 

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