Polícia do Rio intima William Bonner e Renata Vasconcellos para depor sobre suposta desobediência a ordem judicial no caso das ‘rachadinhas’

Em setembro, juíza decretou censura à exibição de documentos relacionados à investigação sobre esquema de ‘rachadinha’ envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ)

Fábio Grellet/RIO

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Os apresentadores do Jornal Nacional, da TV Globo, William Bonner e Renata Vasconcellos, foram intimados a depor à Polícia Civil do Rio de Janeiro em uma investigação sobre suposta desobediência à decisão judicial que proibiu a emissora de divulgar informações a respeito da investigação do esquema de “rachadinha” (devolução de parte do salário) que, segundo o Ministério Público do Rio (MP-RJ), o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) praticou enquanto era deputado estadual no Rio de Janeiro.

Em 4 de setembro, a juíza Cristina Serra Feijó, da 33ª Vara Cível do Rio de Janeiro, atendeu pedido do senador Flávio Bolsonaro e proibiu a TV Globo de exibir qualquer documento ou peça da investigação sobre o suposto esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio enquanto ele era deputado estadual no Rio. “Não tenho nada a esconder e expliquei tudo nos autos, mas as narrativas que parte da imprensa inventa para desgastar minha imagem e a do presidente Jair Messias Bolsonaro são criminosas”, publicou Flávio nas redes sociais, à época, justificando o pedido de censura.

Na ocasião, a emissora parou de veicular reportagens sobre o tema e classificou a decisão como cerceamento à liberdade de informar, uma vez que a investigação é de interesse de toda a sociedade.

O jornalista William Bonner, apresentador do Jornal Nacional, da TV Globo. Foto: Reprodução/Instagram

A defesa do senador Flávio Bolsonaro apresentou à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática denúncia de que a TV Globo teria descumprido a ordem judicial, e o delegado Pablo Dacosta Sartori iniciou investigação sobre suposta “desobediência a decisão judicial sobre perda ou suspensão de direito”.

Em nota, a defesa do senador afirmou que “o registro policial feito contra a Rede Globo deveu-se ao crime de desobediência praticado por vários de seus prepostos (editores, repórteres, etc) nos seus principais telejornais, em acintoso desrespeito à decisão que a proibiu, por duas vezes, de exibir reportagens sobre a investigação que atualmente tramita sob supersigilo”. Ainda segundo a nota, “como foi derrotada em várias tentativas de reverter a decisão, (a emissora) resolveu ignorar o Judiciário para seguir com o seu jornalismo clandestino, feito à custa de delitos próprios e alheios”. A defesa de Flávio Bolsonaro informou ter pedido aplicação de multa de R$ 500 mil por cada ato de violação.

Dentro da investigação, na última quarta-feira (2) determinou que os apresentadores do “Jornal Nacional” sejam intimados a depor na próxima quarta-feira, dia 9, na sede da DRCI, em Benfica (zona norte do Rio). Renata deve depor às 14h e Bonner, às 14h30. Se algum deles não comparecer, segundo a notificação, terá praticado crime de desobediência, punido com detenção de até seis meses e multa.

Procurada pela reportagem, a TV Globo informou que “não se manifesta sobre procedimentos legais em curso”.

ABI. Em nota, a Associação Brasileira de Imprensa manifestou “seu espanto e sua indignação” com o fato de Bonner e Renata terem sido intimados a depor.

“Nosso espanto vem do fato de terem sido Bonner e Renata os convocados a depor, e não Flávio Bolsonaro e o miliciano Fabrício Queiroz, seu assessor. Nossa indignação vem do fato de que, uma vez mais, se tenta intimidar a imprensa e calar a sua voz, num claro atropelo à Constituição”, diz a nota da ABI. A entidade, presidida por Paulo Jeronimo, “se coloca incondicionalmente ao lado dos jornalistas atingidos”.

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