Polícia de Rondônia era ‘tropa de elite’ nas planilhas da Odebrecht, afirma delator

Polícia de Rondônia era ‘tropa de elite’ nas planilhas da Odebrecht, afirma delator

Segundo ex-executivo da área de energia da empreiteira, pagamento de propina no entorno de obras de hidrelétricas na Amazônia incluía repasses a policiais

André Borges / BRASÍLIA

13 de abril de 2017 | 15h34

Henrique Valadares. Foto: Reprodução

Henrique Valadares. Foto: Reprodução

O pagamento de propina no entorno das obras das hidrelétricas da Amazônia também incluía o repasse para policiais que atuavam no entorno do empreendimento. Segundo o delator Henrique Serrano de Prado Valadares, que dirigia a área de energia da Odebrecht, as planilhas que eram administradas pelo departamento de propinas da empreiteira incluíam a alcunha de “tropa de elite”, uma referência ao filme dirigido por José Padilha.

A rubrica “tropa de elite” contabilizava os pagamentos que eram feitos aos policiais que deviam garantir a ordem nos canteiros de obras da usina Santo Antônio, em Porto Velho (RO), para evitar revoltas como a ocorrida durante a construção da hidrelétrica de Jirau, também erguida no Rio Madeira, em Rondônia.

“Eram pagamentos feitos para o ‘bico’ que a polícia fazia e recebia por esse ‘bico’, para dar proteção no canteiro, principalmente nos momentos críticos, como aconteciam aquelas invasões e incêndios como acontecia lá em Jirau. Então, ela (polícia) rateava lá entre eles”, disse Valadares.

O delator não mencionou quais valores foram repassados, nomes de recebedores e nem por quanto tempo a propina foi paga. As obras das usinas são citadas pelos delatores como alvos para desvios de recursos e para alimentar o caixa 2 do chamado departamento de propinas da Odebrecht.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.