Polícia Civil e Ministério Público do Rio deflagram operação contra Escritório do Crime

Agentes cumprem 20 mandados de busca e apreensão e outros quatro de prisão em ação que investiga homicídios cometidos pelo grupo de milicianos

Rayssa Motta e Fausto Macedo/SÃO PAULO e Marcio Dolzan / RIO

30 de junho de 2020 | 07h38

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro deflagraram uma operação na manhã desta terça-feira, 30, contra integrantes do chamado Escritório do Crime, grupo de milicianos que opera na zona oeste da capital fluminense.

Os agentes cumprem 20 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão. Até o momento, dois supostos integrantes do grupo foram presos: os irmãos Leandro e Leonardo Gouvêa da Silva. Outros dois, Anderson de Souza Oliveira e João Luiz da Silva, ainda estão sendo procurados.

A tese dos investigadores é que Leonardo exerceria a chefia sobre os comparsas. Ele seria o responsável pela negociação, planejamento, operação e coordenação da divisão das tarefas criminosas. Seu irmão, Leandro, seria o motorista do grupo e responsável pelo levantamento, vigilância e monitoramento das vítimas.

De acordo com o Ministério Público, os denunciados possuíam ‘estreita ligação’ com Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Bope morto em confronto com a polícia em fevereiro deste ano, na Bahia, e apontado pelos investigadores como mandante do homicídio de Marcelo Diotti da Mata, ocorrido no estacionamento de uma hamburgueria na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. Diotti, que já havia sido preso por homicídio e exploração de máquinas de caça-níqueis, seria visto como desafeto pelos executores.

O objetivo dos investigadores é esclarecer a autoria de outros homicídios atribuídos aos paramilitares. A ação de hoje é resultado de uma investigação que teve início após três denúncias apresentadas pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ). Os promotores descrevem o grupo como ‘agressivo’ e revelam um ‘padrão de execução’ em homicídios por encomenda praticados há anos.

“Fortemente armados e com trajes que impedem identificação visual, tais como balaclava e roupas camufladas, os atiradores desembarcam do veículo e progridem até o alvo executando-o sem chances de defesa”, informou o MP fluminense.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: