Polícia caça prefeito elogiado pela mulher deputada no dia do impeachment

Polícia caça prefeito elogiado pela mulher deputada no dia do impeachment

Ruy Muniz, do município mineiro de Montes Claros, virou foragido da Justiça na Operação Tolerância Zero por 'chefiar quadrilha que capturou a administração pública para interesses escusos'

Mateus Coutinho e Leonardo Augusto, especial para O Estado

15 de setembro de 2016 | 14h50

Polícia na residência de Ruy Muniz, em Montes Claros. Foto: HUmberto Mauro

Polícia na residência de Ruy Muniz, em Montes Claros. Foto: HUmberto Mauro

Elogiado pela mulher – deputada Raquel Muniz (PSD/MG) – na sessão histórica da Câmara que votou pela aprovação do processo de impeachment de Dilma Rousseff em abril, o prefeito afastado de Montes Claros Ruy Muniz (PSB) virou foragido da Justiça, que decretou sua prisão na Operação Tolerância Zero, deflagrada nesta quinta-feira, 15.

Ele foi alvo nesta quinta-feira, 15, de mais um mandado de prisão, o segundo somente neste ano. Desta vez, porém, os policiais não o encontraram e ele está foragido.

Esta já é a terceira investigação contra Ruy Muniz, que somente em 2016 já foi alvo de duas operações da Polícia Federal, uma por suspeita de beneficiar hospitais privados ligados a ele e outra por suspeita de participar, junto com a mulher, de participar grupo que teria praticado fraudes tributárias e previdenciárias, estelionatos qualificados, desvio de recursos de entidades beneficentes de assistência social sem fins lucrativos e de verbas públicas federais.

A primeira operação da PF que o prendeu em 18 de abril, ocorreu um dia após a votação do impeachment na Câmada em que sua mulher o elogiou e disse que “meu voto (no impeachment) é pra dizer que o Brasil tem jeito, o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com sua gestão”. Ele ficou detido até julho deste ano graças a uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região e, em meio às investigações, lançou sua candidatura para tentar a reeleição.

Nesta quinta, 15, foi a vez de a Polícia Civil de Minas ir atrás do político por decisão da desembargadora Marcia Milanez, do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais.
Por determinação da magistrada, a polícia prendeu o filho de Ruy Muniz, Ruy Gabriel Queiroz Muniz, um assessor e o diretor da Empresa Municipal de Serviços, Obras e Urbanização de Montes Claros (ESURB).

A desembargadora também determinou o afastamento de Ruy Muniz (já afastado pela operação da PF em abril)e dos dois servidores da prefeitura de seus cargos.

Também foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão nas residências e nos locais de trabalho dos oito investigados – incluindo Ruy Muniz e os outros três que tiveram a prisão decretada -, na sede da ESURB e em outras três empresas privadas.

As medidas atendem um pedido do Ministério Público de Minas Gerais que acusa Ruy Muniz de chefiar uma quadrilha que teria ‘capturado’ a administração pública municipal ‘transformando-a refém dos seus escusos interesses’, diz o procurador de Justiça Cristovam Joaquim Filho no pedido de prisão.

Nesta investigação, o prefeito afastado, seu filho, os funcionários públicos e empresários são acusados de fraudes na compra de combustível pela ESURB beneficiando empresas e o próprio político.

Ao acatar os pedidos de prisão e de buscas, a desembargadora entendeu que ‘há fortes indícios de envolvimento dos investigados em uma organização criminosa, estruturada e com divisão de tarefas, em que seus integrantes buscam obtenção de vantagens pecuniárias pela prática de crimes, especialmente desvios de verba pública’.
A prefeitura de Montes Claros não se manifestou sobre o caso.

Procurada, a assessoria da prefeitura de Montes Claros informou que não iria comentar o caso. A reportagem também entrou em contato com o gabinete de Raquel Muniz, mas foi informado que a deputada ainda não tinha um posicionamento.

 

 

 

 

 

 

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