Poema ao Dia Internacional da Mulher

Carlos A. Klomfahs*

08 de março de 2019 | 16h00

“A celebração é clássica,
As reportagens também:
Feminicídio, mortes e sangue!
A culpa é de quem?
Poder Público? Promessas…
Homens: vítimas e agressores?
Será tudo preto ou branco?
Então…
A dúvida é perene, persiste:
Divulgar a violência,
Sob pena de repetição?
ou,
Fomentar ações afirmativas?
Eis a questão!

Na infância de nossos filhos e filhas,
Dividimos meninos e meninas,
Carros e jogos violentos,
As meninas em grupo, compartilhando,
Os meninos sozinhos, reforçando o ego;
Então:
De quem a culpa?
Quem é a sociedade?
Já sei!
Todo homem é fruto,
de seu passado, de sua educação,
de suas falhas, do papel da mãe!
Mas…
A vida em sociedade,
sempre foi e será complexa,
nela ingressa:
Aspectos sociais, econômicos,
Políticos e psicológicos,
N’uma amálgama reversa!
Então, por que a pressa?
Portanto,
Não há mágica solução,
Para essa trágica situação,
Há definir que todo agressor,
Vítima também é,
E pode ter sido agressor,
de formas outras de agressão:
Omissão ou rejeição,
Abuso e frustração,
Suspenda seu julgamento!
Por que não?
Finalmente,
Somos todos responsáveis!
Somos nós a sociedade!
Agressores somos nós!
E também vítimas!
Assim,
Este poema se torna,
Como a ambiguidade,
Do caule d’uma rosa,
A um só tempo:
Pseudo celebração,
E real reflexão,
Ela(s) tem razão!

Brasil, 8 de março de 2019

*Carlos A. Klomfahs, advogado, escritor, professor e estudante de Psicologia

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