PME: sem gestão financeira fica mais difícil sobreviver a períodos de crise

PME: sem gestão financeira fica mais difícil sobreviver a períodos de crise

Décio Krakauer*

20 de agosto de 2020 | 03h00

Décio Krakauer. FOTO: DIVULGAÇÃO

Todo gestor sabe que o lucro de uma companhia também está relacionado ao controle financeiro que se tem sobre os negócios. Essa gestão do fluxo de caixa é fundamental em períodos de crise, como o que estamos enfrentando com a pandemia, quando há limitação de dinheiro no mercado. É nessas horas que precisamos aparar arestas na gestão financeira das operações, substituir processos obsoletos e identificar onde estão as oportunidades de melhoria. Isso, tanto para que a companhia sobreviva ao período de instabilidade quanto esteja devidamente competitiva no momento da retomada.

No meu contato diário com empresários de pequenas e médias empresas, noto que alguns ainda têm a visão equivocada de que o controle financeiro se limita a monitorar superficialmente o fluxo de caixa e organizar contas a pagar e receber. Mas a análise deve ser mais ampla e profunda. Existem pontos altamente estratégicos por trás dessa gestão, como o planejamento das atividades, a previsibilidade e a análise dos orçamentos e investimentos. Assim, garante-se a sustentação do negócio, no dia a dia e no futuro da organização, seja em períodos aquecidos ou desafiadores.

Minha recomendação é que os empresários iniciem a mudança desse mindset aderindo a softwares que apoiam a gestão e o controle do fluxo de caixa. Assim, terão acesso a dados mais confiáveis que os ajudem a tomar decisões eficientes relacionadas a gastos ou reduções, entre outros controles maiores. Digo isso porque alguns gestores de pequenas e médias empresas ainda utilizam planilhas ou livro-caixa para fazer o controle financeiro da organização. Porém, cuidar do fluxo de caixa de cabeça ou no caderninho é uma rotina inviável ou pouco produtiva, se considerarmos a complexidade dessa gestão e os riscos de falha humana nesse processo manual. Alguns erros têm chances de gerar sérios prejuízos à companhia.

Paralelamente a isso, é fundamental fazer um trabalho de conscientização dos colaboradores envolvidos sobre a importância desse novo momento. Nesse processo, fale sobre a importância da tecnologia para a operação e a rotina de todos, além de oferecer orientações sobre como cada um pode evoluir na contribuição para o negócio e se mostrar disponível para esclarecer dúvidas. Essa iniciativa é importante para que os profissionais não se sintam ameaçados ou desmotivados com a inovação implementada.

Com a organização dos processos financeiros por meio de uma tecnologia de gestão financeira a empresa ganha com organização, padronização, otimização e monitoramento das ações, garantindo que os gestores tenham dados confiáveis para a tomada de decisões. Além disso, por meio da ferramenta, é possível integrar as informações financeiras existentes em todas as áreas, controlar o fluxo de caixa e gerenciar o estoque. Tudo para auxiliar nas tomadas de decisões do dia a dia e no planejamento de médio e longo prazo.

Esta não é a primeira grande crise do Brasil. Certamente, não será a última. Então, é importante aproveitar o momento para corrigir rotas e não perder tempo ou recursos financeiros ao descuidar do registro das operações realizadas, do planejamento financeiro ou do controle do fluxo de caixa ou do estoque. Se essas falhas geram prejuízos em períodos de fartura, imagine quando o momento é incerto, a concorrência está acirrada e o futuro ainda é uma incógnita?

*Décio Krakauer, presidente da Ramo Sistemas

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