Pixuleco II identifica ‘núcleo duro’ da corrupção e ‘miríade de fraudes’

Procurador da Lava Jato diz que esquemas usam de subterfúgios que dão aspecto formal às operações de repasse de propinas

Redação

13 Agosto 2015 | 12h16

Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Fausto Macedo, Julia Affonso e Andreza Matais

O Ministério Público Federal acredita ter identificado um novo modelo de corrupção dentro do universo Lava Jato – a super investigação que, inicialmente, mirava em doleiros, chegou a diretorias estratégicas da Petrobrás, depois, sucessivamente, em agências de publicidade contratadas por órgãos federais, passou para a Eletronuclear e, agora, bate no Ministério do Planejamento e Gestão.

“Estamos diante de um novo modelo (de corrupção)”, declarou o procurador da República Roberson Henrique Pozzobon, que integra a força-tarefa da Lava Jato, ora em seu 18.º capítulo, que identificou um desvio de cerca de R$ 52 milhões a partir de operações de empréstimos de consignados.

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“(Na Lava Jato) Tivemos empresas de consultoria, desvios através de empresas de publicidade, propinas por empresas de fachada e, agora, aparecem aqui escritórios de advocacia. É uma frente a ser explorada”, disse o procurador, referindo-se às quatro bancas de advocacia alvo da Pixuleco II.

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Um dos escritórios, estabelecido em Curitiba, mantém ligações com o PT. Indagado se os grupos criminosos estão se reinventando o procurador foi taxativo. “O núcleo duro das fraudes gira em torno de meios e subterfúgios para justificar formalmente o trânsito dos valores das empresas (que distribuem propinas).”

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Roberson Pozzobon faz um paralelo com as organizações do narcotráfico. “Ao contrário dos traficantes de drogas estamos diante de uma criminalidade empresarial. Ela é organizada por empresas que têm aparência de licitude e aí se encaixam diversas formas de lavagem de dinheiro, como por meio de contratos de consultoria ideologicamente falsos, na contratação de escritórios de advogacia sem causa, remessas de valores para o exterior em operações de câmbio sem o devido respaldo, transferências de de valores a partir de supostas importações e exportações que, efetivamente, não ocorreram.”

O procurador apontou para a ‘miríade de fraudes’ e a importância de o País apoiar o Ministério Público Federal para implantar o pacote de dez medidas contra a corrupção propostas por sua instituição – os procuradores da Lava Jato buscam 1,5 milhão de assinaturas para ingressar com o projeto no Congresso, a exemplo do que ocorreu na Lei da Ficha Limpa. “A criminalidade organizada busca o aperfeiçoamento dos seus meios. Por isso, é importante a adoção de medidas concretas (de combate aos malfeitos).”

COM A PALAVRA, RUSSO

O presidente do diretório municipal do PT, Marco Bariao, o ‘Russo’, informou que Romano não é mais filiado ao partido. “O senhor Alexandre Correa de Oliveira Romano foi filiado ao PT de Setembro de 1999 a 22 de Setembro de 2005′.