PIX: os dois lados da moeda

 PIX: os dois lados da moeda

Marcio Aguiar*

08 de março de 2021 | 05h45

Marcio Aguiar. FOTO: GATTI

Agora é moda usar o PIX. Não apenas como uma ferramenta para dar mais agilidade às transações financeiras, mas como uma rede social ou até uma forma de paquera. A criatividade do brasileiro é, sem dúvida nenhuma, única. A necessidade de atenção aqui, porém, é com os dados pessoais. Vivemos em uma era da tecnologia, quando a Inteligência Artificial e as máquinas são cada vez mais presentes. E toda moeda tem dois lados.

Hoje, o PIX é sim um grande avanço a ser comemorado e é seguro. A ferramenta conta com os mesmos protocolos de segurança do Sistema Financeiro Nacional, que também funcionam para TEDs e DOCs. Em resumo, as transações e os dados pessoais devem ser protegidos por duas medidas de segurança: a criptografia e a autenticação. A criptografia impede que cibercriminosos tenham acesso a informações de uma transferência, enquanto ela está sendo enviada. Já a autenticação é uma camada adicional de segurança, que serve para confirmar se as identidades do cliente e do agente financeiro são verdadeiras, como a solicitação de senhas ou biometria.

Dito isso, há um ponto para se atentar. Assim como os sistemas de segurança evoluem, os cibercriminosos também aprendem a se adaptar.

A fraude financeira tem crescido junto com as ondas de violações de segurança cibernética. Em média, a cada dez ataques feitos contra transações on-line de empresas brasileiras, três são bem-sucedidos, segundo o estudo da LexisNexis® Risk Solutions no Brasil. A pesquisa afirma ainda que, para cada transação fraudulenta, as empresas sofrem uma perda econômica de 3,44 vezes o valor da perda atual.

No globo, os crimes cibernéticos custam US$ 600 bilhões por ano, segundo uma estimativa da McAfee. A previsão da consultoria Accenture é que, até 2024, os ataques cibernéticos poderão custar US$ 5,2 trilhões às empresas no mundo.

O cartão de crédito, por exemplo, já é algo de uso comum em transações financeiras e também é um dos principais alvos. A American Express, que tem mais de 115 milhões cartões de crédito ativos, consegue manter a taxa de fraude mais baixa do setor há mais de 13 anos consecutivos, de acordo com o The Nilson Report. O segredo deles é simples: continuar apostando na tecnologia mais recente para ter a capacidade de estar sempre com sistemas atualizados e seguros.

Atualmente, a American Express realiza mais de oito bilhões de transações por ano e tem usado deep learning em plataformas e GPUs para combater fraudes. Os algoritmos de Inteligência Artificial utilizados pela empresa monitoram todas as transações da American Express realizadas no mundo em tempo real. Com o sistema desenvolvido, eles conseguem evitar gastos de mais de US$ 1,2 trilhão por ano e ainda possuem a capacidade de compreender se uma transação é fraudulenta em milissegundos.

A principal diferença entre o cartão de crédito e o PIX está no histórico. As empresas financeiras já possuem uma base de dados comportamentais, como as últimas compras do cliente ou os avisos de viagem ao exterior, assim como fatores de segurança adicionais, que auxiliam a inibir fraudes nos cartões.

Mas novas formas de pagamento vão necessitar de novas formas de prevenção. O maior desafio será conseguir se preparar e criar ferramentas rapidamente com capacidade de processamento altamente acelerado. É nesse quesito que a Inteligência Artificial ganha um papel fundamental, principalmente por ser capaz de monitorar o cenário e perceber detalhes que um ser humano não perceberia – além de tomar uma ação em um curto espaço de tempo que evite prejuízos.

Com tanta criatividade inerente no brasileiro, não será difícil para as equipes antifraudes vencerem esse desafio se as instituições financeiras do país buscarem se manter atualizadas.

*Marcio Aguiar é diretor da NVIDIA Enterprise para América Latina

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