PIX e as conexões com o mercado cripto

PIX e as conexões com o mercado cripto

Reinaldo Rabelo*

16 de setembro de 2020 | 05h30

Reinaldo Rabelo. FOTO: DIVULGAÇÃO

O Banco Central implantará, em outubro, a plataforma PIX, que vai acelerar a transformação digital dos meios de pagamento no Brasil, pois viabilizará pagamentos instantâneos, com transferências sete dias por semana, 24 horas por dia e 365 dias no ano. É um momento disruptivo para a economia e a sociedade brasileiras, tal como a popularização e o barateamento das ligações telefônicas, o advento e as facilidades do celular e da internet, a simplicidade do WhatsApp para falar e trocar arquivos, a mudança provocada pelo streaming na forma como consumimos e produzimos conteúdo. O PIX chega para ser um divisor de águas.

São muitas as vantagens do novo serviço: agilidade, instantaneidade, fim da burocratização de um mercado engessado e regido pelos horários fixos do setor bancário. Não precisaremos mais de intermediários (o que é suscetível a erro) e esperar dias para a compensação bancária, como nas transferências por DOC ou TED. A operação será segura e feita em segundos. A transação financeira será tão simples quanto o envio de uma mensagem por WhatsApp. É o fim de uma era bancária – e o início de outra.

O país se aproxima, assim, da intermediação financeira do futuro, começando a atender a necessidade de um sistema de pagamentos barato, rápido, transparente e seguro. Existe um mercado incipiente no Brasil – mas que tem ganhado força – que já possui essas características: o de criptoativos, sendo o bitcoin o principal deles. O bitcoin já funciona 24×7: pode-se comprar a qualquer momento. Desde 2009, a rede bitcoin funciona de forma ininterrupta, transparente e aberta, graças à tecnologia blockchain, usada também para diversos fins: gestão de contratos e contratos inteligentes; gestão da cadeia de abastecimento; proteção de ativos; identificação, sistemas de registro pessoal e senhas.

A partir da ideia de quebrar arranjos fechados e aderir ao conceito de open banking, a rede PIX terá características similares à da tecnologia blockchain de reunir todas as informações, com a base de dados distribuída entre todos os agentes. O serviço não é do intermediário, mas sim do usuário. É uma mudança de paradigma, já que os arranjos fechados e feudos bancários ficarão no passado. Redes de intermediários tiram trilhões da economia e não agregam valor na mesma proporção – essa concentração toda representa mais custos, impostos e tempo.

Com o PIX é como se todo mundo estivesse em um mesmo banco. Ou, nas palavras do “clube dos bancos centrais”, o BIS, o PIX controla um mercado municipal, estabelece regras e padrões claros que todas barracas precisam seguir, facilitando a vida para os clientes que ali entrem para comprar algum produto. Atualmente o sistema bancário é como uma enorme praça em que os vendedores ficam à deriva, cada um praticando uma regra e uma taxa, permitindo que os donos das maiores barracas criem regras e modelos que os favorecem, sem tanto benefício para os consumidores.

As transações com ativos digitais já funcionam 24X7, em protocolos que valem para todos, com tecnologia que permite transações brutas (uma a uma), rápidas e baratas: nasceram assim. E, agora, essa concepção chega ao setor bancário.

*Reinaldo Rabelo, CEO do Mercado Bitcoin

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