Pimentel pede ‘acesso irrestrito’ à Operação Acrônimo

Governador de Minas e sua mulher são citados em investigação da Polícia Federal sobre esquema de arrecadação ilegal de recursos e recebimento de 'vantagens indevidas'

Redação

11 de julho de 2015 | 05h00

Por Julia Affonso e Fausto Macedo 

Fernando Pimentel. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Fernando Pimentel. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O governador de Minas Gerais Fernando Pimentel (PT), pediu à Polícia Federak “amplo e irrestrito acesso a todos os documentos” da Operação Acrônimo, investigação sob tutela do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A Acrônimo cita Pimentel em suposto esquema de arrecadação ilegal de recursos para suas campanhas eleitorais.

LEIA A INTEGRA DO PEDIDO À PF DOS ADVOGADOS DE FERNANDO PIMENTEL

A PF apura, ainda, denúncia de recebimento de “vantagens indevidas” que teriam sido realizadas pelo empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, ligado ao PT, e de empresas que obtiveram empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – a instituição financeira é subordinada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que o petista comandou entre janeiro de 2011 e fevereiro de 2014, durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff (PT).

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A operação foi dividida até aqui em duas fases. Na primeira, deflagrada em 29 de maio, a PF fez buscas em um imóvel da mulher de Pimentel, Carolina Oliveira, em Brasília.

Na segunda ação, em 25 de junho, as buscas incluíram um antigo escritório do petista.

Em petição ao delegado Guilherme Torres, da PF no Distrito Federal, a defesa de Pimentel sustenta que uma vez que a investigação tem base em material apreendido na primeira fase da Acrônimo “por óbvio, é necessário que seja franqueado acesso a tudo que foi obtido até o presente momento, incluindo a segunda fase da operação”.

Os advogados do governador de Minas citam expressa determinação do ministro Herman Benjamin, relator da Acrônimo no STJ. Ele autorizou “imediata concessão de vista integral, a abranger as medidas cautelares, dos documentos já encartados aos autos deste inquérito aos investigados.  Faculto à autoridade policial o fornecimento de cópias, inclusive em meio digital”, anotou o ministro.

Oito criminalistas compõem o núcleo de defesa do governador de Minas – Antônio Carlos de Almeida Castro, Pierpaolo Cruz Bottini, Roberta Cristina R. de Castro Queiroz, Igor Sant’Anna Tamasauskas, Marcelo Turbay Freiria, Thiago Brügger de Souza, Liliane de Carvalho Gabriel e Hortênsia M.V. Medina.

Em petição ao ministro relator, os advogados pontuaram que a partir da deflagração da primeira fase ostensiva da Operação Acrônimo “inaugurou-se uma linha investigatória que, a partir daquele momento, passou a investir contra ele (Fernando Pimentel).”

“Por esta razão, o peticionário requer o amplo e irrestrito acesso a todos os documentos relacionados à presente investigação, incluindo todo o material apreendido na primeira fase da Operação Acrônimo e aos laudos que foram produzidos, bem como ao material arrecadado no dia 25 de junho, data da deflagração da segunda fase da referida operação, possibilitando-se a extração integral de cópias reprográficas, espelhamento e/ou a gravação de todas as mídias eletrônicas produzidas no âmbito da investigação.”

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