PGR vai apurar pagamentos da JBS a Frederick Wassef, ex-advogado do presidente

PGR vai apurar pagamentos da JBS a Frederick Wassef, ex-advogado do presidente

Documentos recebidos pelo Ministério Público do Rio e revelados pela Revista Crusoé apontam repasses de R$ 9 milhões entre 2015 e 2019

Breno Pires/BRASÍLIA

20 de agosto de 2020 | 17h15

O procurador-geral da República, Augusto Aras, determinou a apuração de informações sobre pagamentos do grupo J&F a Frederick Wassef, advogado que atendia o presidente Jair Bolsonaro.

Documentos recebidos pelo Ministério Público do Estado Rio de Janeiro apontam pagamento de R$ 9 milhões da JBS, empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista, entre 2015 e 2019. As informações foram reveladas pela Revista Crusoé.

Aras vai solicitar ao MP estadual do Rio de Janeiro acesso a essas informações. “Eventual irregularidade poderá reforçar os indícios de omissão nos acordos de colaboração premiada dos executivos da companhia”, informou em nota a PGR.

No segundo semestre do ano passado, Frederick Wassek compareceu à Procuradoria-Geral da República (PGR) para uma reunião com o então coordenador dos processos relacionados à Operação Lava Jato na PGR, o subprocurador-geral da República José Adonis Callou. A intenção dele era discutir o acordo de leniência do grupo empresarial, que havia sido rescindido pela Procuradoria-Geral.

Frederick Wassef, advogado de Flavio Bolsonaro FOTO TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

O acordo foi assinado em 2017, na gestão Rodrigo Janot, procurador-geral da República que veio a rescindir o trato, diante da suspeita de que o então procurador da República Marcelo Miller teria feito jogo duplo, atendendo à empresa enquanto ainda fazia parte do MPF.

Segundo Callou disse ao Estadão, Wassef foi encaminhado a seu gabinete pelo gabinete do procurador-geral. A conversa teria sido rápida, pois o advogado não tinha procuração para o caso sobre que desejava tratar. “Ele disse que apresentaria, mas não retornou. A conversa foi somente essa”, disse Callou ao Estadão.

A PGR disse, em nota, que Augusto Aras não participou de nenhum dos contatos que trataram de eventual proposta de repactuação do acordo de colaboração premiada da JBS com envolvimento do advogado Frederick Wassef. “Todas as solicitações de audiência para tratar de assuntos jurídicos que chegam ao gabinete do PGR são direcionadas para os procuradores que atuam na respectiva matéria. O PGR dedica-se às áreas constitucional e cível perante o STF.

O procurador-geral da República afirma que não recebeu solicitação de nenhuma natureza por parte do presidente da República, e desconhece supostos telefonemas do presidente para qualquer membro do MPF. A PGR reitera posição contrária a uma eventual renegociação com os colaboradores”, diz a nota.

COM A PALAVRA, A JBS
“A JBS esclarece que o escritório de advocacia mencionado não representa nem se manifesta em nome da Companhia junto à PGR.

A empresa informa que os serviços prestados pelo escritório tiveram como finalidade atuação em inquéritos na esfera policial e que esses serviços foram prestados e pagos mediante emissão notas fiscais, sendo a última referente ao ano de 2019. Os valores e detalhes do contrato são protegidos por sigilo legal.

A Companhia mantém um processo de auditoria de fornecedores, os quais são submetidos a due diligence e à aprovação da área de Compliance, o que também se aplica ao caso em questão. Esse processo realizou, ao longo do ano passado, 9.486 análises de forma independente e sistêmica e os casos não conformes foram bloqueados.”

COM A PALAVRA, FREDERICK WASSEF
“Em resposta às recentes notícias que circulam utilizando o meu nome, venho informar que qualquer tema relacionado à JBS ou qualquer outro cliente do meu escritório, não foi tratado com o Procurador Geral da República, o excelentíssimo Sr. Dr. Augusto Aras. Dentro das minhas competências como advogado, não atuei junto a PGR em nome da JBS no final de 2019 conforme noticiado pela mídia.

É importante salientar ainda que o Presidente da República, Jair Bolsonaro, jamais ligou ou pediu para que o Procurador Geral da República, Dr. Augusto Aras, me atendesse.

Não é de hoje que se levantam mentiras utilizando o meu nome ao noticiar FAKE NEWS – notícias falsas – na mídia nacional com a clara intenção de disseminar confusão, causar dano e atacar a imagem e a idoneidade do Presidente da República.
Sem mais no momento.”

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