PGR suspeita que Ciro e Dudu da Fonte tentaram comprar silêncio de ex-assessor

PGR suspeita que Ciro e Dudu da Fonte tentaram comprar silêncio de ex-assessor

Presidente nacional do PP (na foto) e deputado são alvo da Operação Lava Jato que faz buscas em seus gabinetes no Senado e na Câmara por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo

Breno Pires, Teo Cury e Fabio Serapião/BRASÍLIA

24 de abril de 2018 | 10h13

FOTO: DIDA SAMPAIO/AE

A Procuradoria-Geral da República suspeita que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE), o Dudu da Fonte, tentaram comprar o silêncio de um ex-assessor que tem colaborado com as investigações da Lava Jato contra eles. Os dois parlamentares foram alvo de busca e apreensão nesta terça-feira, 24, no Congresso e em endereços relacionados. Também alvo da operação, o ex-deputado federal Márcio Junqueira foi preso preventivamente, apontado como o intermediário dos deputados.

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Segundo a PGR, o esquema investigado inclui o pagamento de despesas pessoais, ameaças e até proposta para a mudança do teor de depoimento que incriminaria os alvos da operação de hoje. O objetivo das medidas cautelares é reunir mais provas provas de que houve atuação para compra de silêncio.

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Deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE). Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Além do mandado de prisão contra o ex-deputado federal Márcio Junqueira, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão. Além dos gabinetes ocupados pelos parlamentares no Congresso Nacional e dos respectivos apartamentos funcionais, em Brasília, foram realizadas buscas em endereços residenciais na capital federal, em Teresina (PI), Recife (PE) e Boa Vista (RR).

+ Ciro Nogueira e Dudu da Fonte são investigados por repasse de R$ 1,6 mi via contrato fictício

A operação foi deflagrada por autorização do ministro Edson Fachin ex-deputado (prisão), relator de um inquérito que apura repasses a políticos do PP por meio de contrato fictício, com suspeitas de prática dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Até agora, não havia informação nos autos sobre obstrução à investigação.

Depois de uma decisão da semana passada, que limitou o objeto da investigação, a PF e a PGR continuarão a apurar repasse de R$ 1,6 milhão aos deputados federais Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Arthur Lira (PP-AL), Eduardo da Fonte (PP-PE) e ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), em 2011, por meio de um contrato fictício com a empresa KFC Hidrossemeadura, pertencente a Leonardo Meirelles e o grupo Queiroz Galvão.

Esses valores teriam sido operacionalizados por Henry Hoyer, que teria assumido o papel anteriormente desempenhado pelo doleiro Alberto Youssef, na operacionalização dos pagamentos de propina de esquemas criminosos na Diretoria de Abastecimento da Petrobrás. Alberto Youssef e Leonardo Meirelles, ambos colaboradores, prestaram informações na investigação.

Inicialmente, o inquérito apurava o repasse de R$ 2,7 milhões da empreiteira Queiroz Galvão sob disfarce de doações eleitorais oficiais ao Diretório Nacional do PP em 2010, para posterior distribuição a parlamentares. Uma decisão do ministro Edson Fachin na semana passada enviou a parte sobre os R$ 2,7 milhões para ser analisada no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, para apurar a participação de Francisco Dornelles, vice-governador do Rio de Janeiro, que não tem foro por prerrogativa de função no Supremo.

Advogados de Arthur Lira e Aguinaldo Ribeiro afirmaram que os políticos não foram alvo da operação. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Eduardo da Fonte.

Em nota, o advogado Antonio Carlos de Almeida e Castro, o Kakay, disse que a defesa do senador Ciro Nogueira está acompanhando as buscas que estão sendo realizadas na residência e no gabinete do senador.

COM A PALAVRA,  A DEFESA DO SENADOR CIRO NOGUEIRA

O criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, se manifestou pelo senador.
“A defesa do senador Ciro Nogueira está acompanhando as buscas que estão sendo realizadas na residência e no gabinete do senador. Esclarece a defesa que o senador se encontra fora do Brasil, não sabendo em qual país e que não foi possível ainda falar com ele. Desconhece a defesa, até o presente momento, as razões da determinação judicial do Ministro Fachin. É certo que o senador sempre se colocou à disposição do Poder Judiciário, prestando depoimentos sempre que necessário e, inclusive, já foi alvo de busca e apreensão. Continuará a agir o senador como o principal interessado no esclarecimento dos fatos. No momento, a defesa aguarda contato com o senador para poder ter o necessário instrumento de poderes que dará direito ao acesso aos fundamentos da medida de busca e apreensão.”

COM A PALAVRA, DUDU DA FONTE

O deputado Eduardo da Fonte disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que “confia na Justiça e em Deus”. “Estou à disposição da Justiça sempre”, afirmou.

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