PGR pede inquérito contra desembargadores de Goiás por supostas propinas de padre Robson

PGR pede inquérito contra desembargadores de Goiás por supostas propinas de padre Robson

Subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo, destaca em requerimento ao Superior Tribunal de Justiça existência de 'indícios de corrupção passiva' de magistrados do TJ goiano que teriam ligação com religioso acusado de movimentar R$ 2 bilhões em dez anos

Redação

23 de fevereiro de 2021 | 19h38

padre_robson

Padre Robson. Foto: Facebook/ Reprodução

A subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo, encaminhou pedido de abertura de investigação sobre as acusações contra desembargadores do Tribunal de Justiça de Goiás ao Superior Tribunal de Justiça. O Ministério Público Federal quer que se apure se os magistrados receberam vantagens indevidas do padre Robson de Oliveira, investigado pelo Ministério Público de Goiás por supostos crimes de lavagem de dinheiro, apropriação indébita e falsidade ideológica.

Segundo o MPF, os crimes teriam sido cometidos por meio de associações criadas pelo padre, como a Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), que teriam movimentado em torno de R$ 2 bilhões ao longo de dez anos. No pedido, Lindôra Araújo destaca a existência de indícios da prática de crime de corrupção passiva ‘que justificam a instauração de inquérito para que seja identificado com precisão o processo em relação ao qual teria sido supostamente paga a propina e os desembargadores que supostamente teriam recebido os valores indevidos’.

De acordo com o MPF, informações obtidas no âmbito da Operação Vendilhões, deflagrada em agosto do ano passado, mostram que padre Robson liderou um esquema de pagamento de propinas a agentes da Polícia Civil e a desembargadores do Tribunal de Justiça de Goiás. O pedido de investigação foi encaminhado, após veiculação de reportagem do ‘Fantástico’, da Rede Globo, no último domingo (21). 

A matéria revelou mensagens de áudio, gravadas pelo padre, em que ele teria mencionado a cooptação de autoridades do Estado de Goiás para ter favorecimento judicial. As conversas indicam que o padre, além de ter participado de negociações suspeitas, também teria sugerido o assassinato de um desafeto. “Se você pudesse matar ele pra mim, eu achava uma bênção”, diz em uma das gravações.

COM A PALAVRA, O TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE GOIÁS

A Presidência do Tribunal desconhece os fatos narrados na reportagem. Não foram utilizados os meios próprios para trazer ao Poder Judiciário informações ou indícios de eventual conduta inadequada de magistrados para regular apuração. Não se pode presumir a ocorrência de irregularidades no julgamento de processos a partir de conversa mantida entre advogado e cliente.
O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, por seus órgãos, nas situações em que recebe elementos informativos ou denúncias sobre fatos que devam ser apurados, tem agido com isenção e eficiência, observando os postulados constitucionais.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.