PGR escolhe crítico à Lava Jato para assumir Operação Greenfield e redistribui casos judicializados

PGR escolhe crítico à Lava Jato para assumir Operação Greenfield e redistribui casos judicializados

Lotado em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, e conhecido pela atuação no escândalo do Banestado, Celso Três comandará agora força-tarefa que apura desvios na Caixa, no BNDES e nos fundos de pensão

Rayssa Motta

25 de novembro de 2020 | 17h38

A Procuradoria-Geral da República (PGR) escolheu novo nome para assumir a coordenação da Operação Greenfield, que apura desvios na Caixa, no BNDES e nos fundos de pensão. A portaria que formalizou a indicação de Celso Antônio Três foi publicada nesta quarta-feira, 25.

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Lotado em Novo Hamburgo (RS), o procurador é conhecido pela atuação no escândalo do Banestado. Recentemente, deu entrevistas e publicou artigo com críticas contundentes à Operação Lava Jato. Ao Estadão, em 2017, demonstrou preocupação com a falta de revisão da operaçãoAo portal jurídico Conjur, em agosto, condenou o personalismo de membros da força-tarefa, disse que a operação ‘pretendeu fazer a lei’ e acusou ‘desvios’ nas investigações. Na mesma entrevista, defendeu que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheça a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro na condenação do ex-presidente Lula no caso do triplex do Guarujá e argumentou em favor do procurador-geral da República, Augusto Aras, no embate com as forças-tarefas para acessar os bancos de dados dos grupos de trabalho.

O procurador da República Celso Antônio Três, em Novo Hamburgo Foto: Carlos Eduardo Quadros/Estadão

O cargo de procurador natural da Greenfield estava vago desde setembro, quando Anselmo Henrique Cordeiro Lopes pediu exoneração. O sucessor, no entanto, cuidará apenas dos casos em investigação. Todos os inquéritos em que já houve denúncia ou abertura de ação serão redistribuídos entre integrantes da Procuradoria da República no Distrito Federal, conforme consta em despacho do vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros.

Segundo a PGR, a decisão de dividir os casos foi tomada para garantir a continuidade das investigações e com base em uma norma que autoriza a redistribuição quando houver afastamento do titular. No documento, Jacques classifica o desfalque na Greenfield como situação ‘excepcionalíssima, grave’ e que ‘não comporta mais delonga na adoção de uma solução que a equacione’.

Também pesou na decisão a falta de interessados em assumir a coordenação da força-tarefa. De acordo com a PGR, em um primeiro momento foi feita uma consulta junto aos procuradores do Distrito Federal. Como ninguém se candidatou, foi aberto um edital e apenas o procurador Celso Três se ofereceu para assumir a operação.

“Isso demonstra o quanto o “caso Greenfield” cresceu baseado em uma estrutura artificial, e por demais distinta do ordinário de um Oficio do Ministério Público Federal, a ponto de em todo o Ministério Público Federal um único membro ter se disposto a ter em seu Ofício o acervo”, registrou Jacques.

No despacho, o vice-procurador também sinaliza a necessidade da abertura de uma investigação, na Corregedoria do Ministério Público Federal, sobre o trabalho da força-tarefa. Um dos pontos levantados foi a suposta instauração de investigações sem conexão com o objeto inicial da operação, os desvios em fundos de pensão.

A Operação Greenfield, que venceria em dezembro, foi prorrogada por 60 dias. Após os dois meses, o novo coordenador deverá apresentar um dimensionamento do volume e da força de trabalho necessária para a continuidade das investigações. Celso Três terá autonomia para decidir se mantém os sete atuais procuradores, Anderson Wagner Gois dos Santos, Hugo Elias Silva Charchar, José Maria Castro Panoeiro, Leandro Musa de Almeida, Michel Francois Drizul Havrenne, Sara Moreira de Souza Leite e Thais Stefano Malvezzi, ou se convoca um edital para a escolha de novos integrantes. O novo coordenador da Greenfield, no entanto, não vai se mudar para Brasília e continuará lotado em Novo Hamburgo.

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