PGR é contra suspensão da prisão preventiva do ‘doleiro dos doleiros’

PGR é contra suspensão da prisão preventiva do ‘doleiro dos doleiros’

Subprocuradora-geral Luiza Frischeisen ressaltou o fato de Dario Messer ter ficado foragido no Paraguai, 'onde continuou cometendo os crimes'

Pedro Prata

06 de fevereiro de 2020 | 19h03

A Procuradoria-Geral da República enviou manifestação ao Superior Tribunal de Justiça contrário a dois habeas corpus apresentados pela defesa de Dario Messer, o ‘doleiro dos doleiros‘. Ele foi preso em julho do ano passado, no âmbito da Operação Marakata, desdobramento da Lava Jato no Rio.

Os pedidos de habeas corpus foram apresentados contra a decisão do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região, que negou a suspensão da prisão preventiva de Messer.

Documento

A subprocuradora-geral da República, Luiza Frischeisen, que assina o parecer endereçado ao Supremo, diz que ‘a prova da existência do crime e os indícios de autoria estão demonstrados no processo e na denúncia oferecida pela Procuradoria’.

A avaliação é de que a prisão também é necessária diante das provas de que ‘o réu continuou praticando crimes enquanto estava foragido’.

Considerada a ‘gravidade dos delitos cometidos por Dario Messer e o fato de que ele ficou foragido por mais de um ano’, o parecer conclui que conceder o habeas seria ‘perigoso’.

Documento

As investigações revelaram que Messer comandava o comércio ilegal de esmeraldas e outras pedras preciosas e semipreciosas que movimentou cerca de U$ 44 milhões.

Pela participação no esquema, ele foi denunciado por evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Na manifestação, a PGR defende que a prisão preventiva é necessária para a garantia da ordem pública e aplicação da lei penal.

Dário Messer, considerado o ‘doleiro dos doleiros’. Foto: Facebook/Reprodução

Ao argumentar sobre a necessidade da manutenção da prisão preventiva, a subprocuradora-geral menciona relatório da Polícia Federal sobre o período em que o réu ficou foragido.

Ele se escondeu no Paraguai com a ajuda de suspeitos de tráfico de drogas e contrabando, que foram alvos da Operação Patrón, como o ex-presidente paraguaio Horácio Cartes.

A investigação visou desarticular a organização que teria dado suporte a Dario Messer enquanto ele esteve foragido.

A manifestação também chama atenção para o fato de que Dario realizou diversas cirurgias plásticas para impedir o seu reconhecimento com o objetivo de assegurar sua liberdade e dificultar o trabalho das autoridades brasileiras.

“Tais fatos comprovam que, caso seja colocado em liberdade, Dario Messer empreenderá esforços para se furtar à aplicação da lei penal, colocando em risco a instrução criminal”, reforça a PGR.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: