PGR diz que irmão de Ricardo Coutinho é ‘principal coletor de propinas’ e pede prisão

PGR diz que irmão de Ricardo Coutinho é ‘principal coletor de propinas’ e pede prisão

Subprocurador-geral Mário Bonsaglia afirma que a Coriolano Coutinho cabia o controle do 'ecossistema de laranjas' em esquemas na Saúde da Paraíba investigados pela Operação Calvário

Luiz Vassallo

10 de março de 2020 | 19h52

Coriolano Coutinho, o ‘Cori’. Foto: Facebook/Reprodução

A Procuradoria-Geral da República recorreu ao Superior Tribunal de Justiça contra decisão que mandou soltar Coriolano Coutinho, irmão do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), e mais sete alvos da Operação Calvário, que mira supostos esquemas de corrupção na Paraíba. Nesta terça, 10, Coriolano foi alvo de buscas na 8ª fase da investigação, apontado como sócio oculto de uma lotérica que lavava dinheiro de desvios na saúde.

O subprocurador-geral da República, Mário Bonsaglia, ressalta que ‘não há comprovação nos autos de que os multimilionários recursos tenham sido recuperados, saltando aos olhos a presunção de que os agentes estejam usufruindo o numerário recebido , em tese, a título de propina’.

“Ora, não é demais lembrar que a função atribuída ao paciente [Coriolano], na organização criminosa, é a de principal responsável pela coleta de propinas, figurando como beneficiário de imensos recursos financeiros, dentre outras funções a ele atribuídas, cabendo-lhe, ainda, organizar o “ecossistema de laranjas””, sustenta.

No dia 20 de dezembro, o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), chegou a ser preso sob a suspeita de propinas de R$ 134,2 milhões da Saúde – ele foi solto no dia 21 seguinte, por ordem do ministro Napoleão Nunes Maia, do STJ. Decisões monocráticas determinaram a extensão do habeas a outros alvos da Calvário.

As decisões que mandou soltar Coriolano e outros são da ministra Laurita Vaz, e se fundamentou no fato de que há ausência de fatos novos atribuídos aos investigados.

Para Bonsaglia, a decisão ‘data venia, tende a restringir demasiadamente o instituto da prisão preventiva, desnaturando sua natureza, como se a decretação da medida cautelar de privação da liberdade só coubesse em circunstâncias caracterizadoras de continuidade delitiva, de crime permanente ou de outras práticas delitivas relacionadas, situações estas que, mais propriamente, justificariam desde logo a própria prisão em flagrante do acusado, pela prática de novos delitos’.

O subprocurador-geral também pediu o restabelecimento das prisões de Bruno Miguel Teixeira de Avelar Pereira Caldas, José Arthur Viana Teixeira, Valdemar Ábila, Denise Krummenauer Pahim, Breno Dornelles Pahim Neto, Waldson Dias de Souza e Gilberto Carneiro da Gama. O habeas a Ricardo Coutinho ainda será objeto de recurso da PGR, já que o acórdão do julgamento que o confirmou ainda não foi publicado.

 

 

 

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