PGR denuncia novo líder do MDB no Senado Eduardo Braga e Vanessa Grazziotin por ‘caixa 3’

PGR denuncia novo líder do MDB no Senado Eduardo Braga e Vanessa Grazziotin por ‘caixa 3’

A acusação é de mascaramento de doações de campanha que eram da Odebrecht com intermédio do grupo Petrópolis

Breno Pires/BRASÍLIA

01 de fevereiro de 2019 | 19h25

Eduardo Braga. FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADAO

Um dia após ser escolhido como líder do MDB no Senado, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) foi denunciado junto com a ex-senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), pela Procuradoria-Geral da República (PGR), pela prática do chamado “caixa 3” nas eleições de 2012, quando a então senadora foi candidata à Prefeitura de Manaus. A acusação é de mascaramento de doações de campanha que eram da Odebrecht, mas oficialmente foram feitas por outra empresa interposta, a Praiamar, do Grupo Pretrópolis. Inserir informações falsas na prestação de contas é crime eleitoral.

Os registros do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas das eleições em 2012 apontam doações da empresa Praiamar no valor de R$ 1,650 milhão ao diretório municipal do PMDB (atual MDB) em Manaus, presidido na época por Eduardo Braga, e de R$ 700 mil à campanha de Vanessa Grazziotin. Na acusação, a procuradora-geral Raquel Dodge afirma que as doações “foram feitas pela empresa Praiamar com o objetivo de dissimular a real origem dos valores advindos da Odebrecht”.

Também foram denunciados Roberto Luiz Ramos Fontes Lopes, Walter Faria, Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis e Eduardo José Mortani Barbosa. A PGR pede o pagamento de indenização por dano moral no valor de R$ 2,350 milhões, mesmo valor doado pela Odebrecht.

Senador Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). Foto: rafagon/Agência Senado

Um dos delatores do grupo Odebrecht, Fernando Ayres Reis revelou um encontro com Grazziotin em Manaus, em agosto de 2012, no qual ficou acertado o repasse de R$ 1,5 milhão pela construtora. Segundo a PGR, Reis autorizou que a empresa Odebrecht Ambiental utilizasse o Setor de Operações Estruturadas da construtora – o “departamento da propina” – para a liberação do valor destinado à então senadora.

Segundo a acusação, no entanto, foram repassados R$ 2,350 milhões pela empresa Praiamar, do Grupo Petrópolis, de propriedade do empresário Walter Faria. O pagamento aparece no Sistema Drousys, da Odebrecht, registrado com a alcunha “ELA” – que seria referência a Vanessa Grazziotin.

A PGR concluiu que parte do valor foi para o PMDB local. Naquela eleição, Grazziotin teve o apoio do PMDB em umm acordo costurado com Eduardo Braga, líder da legenda no Amazonas.

O inquérito foi aberto em abril de 2017 junto com outras 75 investigações originadas dos acordos de colaboração da Odebrecht – a chamada Lista de Fachin, revelada pelo Estado.

COM A PALAVRA, VANESSA GRAZZIOTIN
A ex-senadora Vanessa Grazziotin não atendeu aos contatos da reportagem e a assessoria de imprensa da senadora não foi localizada.

Em nota oficial, a defesa do senador Eduardo Braga disse que ele não tem nenhuma responsabilidade sobre a prestação de contas da então candidata Vanessa Grazziotin ou de qualquer outro candidato no pleito municipal de 2012. Segundo a nota, ele não era candidato na época e não solicitou doações em favor de nenhuma candidatura. Não tratou de financiamento eleitoral com nenhuma empresa ou pessoa física.

“Esses fatos foram devidamente esclarecidos no inquérito policial em que o senador Eduardo Braga foi ouvido como simples testemunha. O inquérito, aliás, nem chegou a ser concluído. Por isso, a medida da Procuradoria-Geral da República (PGR) é precipitada e profundamente injusta no tocante ao senador Eduardo Braga. Além disso, não encontra apoio em nenhum elemento de informação constante dos autos do inquérito conduzido pela Polícia Federal”, diz a defesa.

Tendências: