PGR decide analisar ‘efeitos socioeconômicos’ e concorrenciais do fim da era Ford no Brasil

PGR decide analisar ‘efeitos socioeconômicos’ e concorrenciais do fim da era Ford no Brasil

Foi publicada portaria pelo a 3ª Câmara de Coordenação e Revisão que instaura procedimento para análise de efeitos socioeconômicos de decisão de multinacional

Samuel Costa

13 de janeiro de 2021 | 15h37

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Steven Armstrong, presidente da Ford Brazil, e Bill Ford, Executive Chairman da Ford Motor Company, no lançamento do novo modelo do Ford Ka em Camaçari, Bahia. Foto: Divulgação / Ford

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou procedimento administrativo para o acompanhamento dos efeitos socioeconômicos e concorrenciais do fechamento das fábricas da Ford no Brasil. O objetivo da medida é compreender como tem sido feito o encerramento das atividades da montadora e como a sua saída do País pode impactar a vida das pessoas e a economia nacional. A depender das informações recolhidas, o MPF pode propor acordos extrajudiciais entre trabalhadores e a multinacional ou até mesmo a solicitação de abertura de processo judicial. Até o momento não há nenhum indício de irregularidade, o procedimento é praxe em situações como esta.

A medida foi tomada após a Ford ter anunciado, no último dia 11, o fechamento de suas fábricas em Taubaté (SP), Camaçari (BA) e Horizonte (CE). Luiz Augusto Santos Lima, subprocurador-Geral da República, entendeu que a saída da empresa do País pode causar “impactos prejudiciais ao setor industrial (…) capazes de provocar a redução dos níveis de renda e emprego nacionais, afetando negativamente a economia do país, além da potencial repercussão no nível concorrencial do mercado de veículos”.

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos, o fechamento das fábricas podem colocar, de forma direta e indireta, 10 mil pessoas no desemprego. A empresa atuava em solo brasileiro desde 1919, quando iniciou a produção de veículos no centro da capital paulista. A justificativa para o encerramento das atividades, dados pela Ford, é que ela passava por crise financeira, intensificada pela pandemia da Covid-19.

Em seu site, a multinacional anuncia que está passando por um momento de reestruturação de suas operações na América do Sul. Em um tópico, que responde à pergunta se ela vai deixar o Brasil, é afirmado que ela “estará ativamente presente no Brasil atendendo seus clientes com um portfólio de SUVs, picapes e veículos comerciais modernos e conectados”. A sua sede administrativa, localizada em São Paulo, o centro de desenvolvimento de produto, na Bahia, e o campo de provas de Tatuí (SP) serão mantidos.

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