PF vê movimentação ‘muito superior a esperada’ em conta de nora de ex-deputado

Valores teriam sido transferidos pelo doleiro Alberto Youssef e outros operadores de propinas para contas de Marcia Danzi, nora de Pedro Corrêa, preso pela Operação 'A Origem'

Redação

13 Abril 2015 | 15h32

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

Dois laudos da Polícia Federal registraram a movimentação das contas da nora do ex-deputado Pedro Corrêa, condenado no Mensalão e investigado na Operação Lava Jato. Um laudo aponta movimentação financeira ‘muito superior a esperada’ entre 2010 e 2014. Marcia Danzi Russo Corrêa de Oliveira, a nora de Pedro Corrêa, prestou depoimento na Polícia Federal na sexta-feira, 10. No mesmo dia o ex-parlamentar foi preso por ordem da Justiça Federal em Curitiba, base das investigações da Lava Jato.

“Em razão da constatação no laudo pericial 318/2015, segundo o qual as contas da declarante movimentaram o valor de R$ 1.377.555,80 entre os anos de 2010 a 2014 (a movimentação é confirmada no laudo 491/2015, que aponta movimentação financeira muito superior à esperada), esclarece que não sabe explicar nesse momento sem ter acesso às contas, nem se recorda especificamente das movimentações ocorridas”, diz o depoimento da nora de Pedro Corrêa.

Pedro Corrêa. Foto: Celso Junior/AE

Pedro Corrêa. Foto: Celso Junior/AE

Marcia Danzi declarou ser servidora pública federal na Companhia Brasileira de Trens Urbanos e ter remuneração de R$ 7 mil. Ela afirmou que recebe ‘aportes financeiros de seu cônjuge’, filho de Pedro Corrêa. Ela se reservou ao direito de ‘responder as perguntas que dependa de prova do inquérito principal após a acesso a este’.

Ela declarou que “acredita” que os saques de aproximadamente R$ 350 mil entre 2010 e 2014 são compatíveis com sua renda, “nada havendo de gasto extraordinário no período”. Segundo Marcia Danzi, apenas ela movimentava a conta e promovia os saques “no interesse de gastos domésticos e pessoais”.

“Em razão da constatação no laudo 491/2015 dando conta que 21% dos valores que ingressaram nas contas da declarante se deram por meio de depósitos em espécie, esclarece que foram depositados por seu cônjuge”, afirma Marcia Danzi no depoimento.

Pedro Corrêa, segundo a investigação, apoiava a permanência do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, primeiro delator da Lava Jato que confessou desvios na diretoria de Abastecimento da estatal petrolífera em troca de propina. Os recursos seriam transferidos por operadores do esquema, como o doleiro Alberto Youssef, para contas de Marcia e de um funcionário de uma fazenda do ex-deputado. A nora de Pedro Corrêa afirmou que não conhece Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef.

“Nunca indicou contas pessoais ou de outras pessoas para Alberto Youssef, a mando de Pedro Corrêa ou de qualquer outra pessoa com a finalidade de recebimento de propina oriundas do esquema de desvio de recursos da Petrobrás”, disse Marcia.

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