PF vê ‘assalto’ a previdências municipais

PF vê ‘assalto’ a previdências municipais

Operação Papel Fantasma, deflagrada nesta quinta-feira, 6, aponta fraudes de 'centenas de milhões' em institutos de pelo menos oito municípios

Julia Affonso

06 Julho 2017 | 17h39

Delegado Victor Hugo Rodrigues Alves. Foto: Julia Affonso/Estadão

O delegado federal Victor Hugo Rodrigues Alves, da Operação Papel Fantasma, afirmou nesta quinta-feira, 6, que houve um ‘assalto’ aos servidores públicos vinculados a Institutos de Previdência Municipais de pelo menos oito cidades. A Polícia Federal investiga, na Papel Fantasma deflagrada pela manhã, fraudes de ‘centenas de milhões de reais’ nas previdências municipais.

A corretora Gradual Investimentos foi alvo de busca e apreensão da Papel Fantasma.

“O objetivo dessa operação foi estancar o que foi detectado na operação, que é uma verdadeira sangria, um verdadeiro assalto ao patrimônio dos servidores e dos institutos de previdência que estava sendo praticado com a utilização do mercado financeiro”, afirmou o delegado.

“A gente estima que esse prejuízo possa atingir centenas de milhões de reais.”

O inquérito policial foi instaurado em janeiro deste ano após a PF receber a informação de que os administradores de uma corretora de valores haviam adquirido diretamente (o que é proibido) títulos conhecidos como debêntures, emitidos por uma empresa fantasma com patrimônio incompatível com os títulos que emitiu (sem lastro). Os diretores dessa empresa eram os sócios da corretora de valores.

“Inicialmente, uma corretora de valores se apresenta como administradora profissional do patrimônio dos institutos de previdência e oferece o serviço de gestão e de administração desses valores. Em princípio quem administra esses valores é a Prefeitura, que terceiriza a administração dos recursos para a corretora. O objetivo declarado é que uma gestão profissional vai fazer o dinheiro render mais, o que seria de interesse dos servidores que pouparam o dinheiro e investiram no instituto de previdência. Ocorre que quando começam a administrar o dinheiro, essa corretora investe o dinheiro dos institutos de previdência em fundos de investimento que por sua vez aplicam o dinheiro em debentures que são emitidas por empresas de fachada”, relatou o delegado.

As investigações já identificaram seis fundos que investiram nesses papéis. Os principais cotistas desses fundos eram Institutos de Previdência Municipais. Os prejuízos causados pelas fraudes, nesse caso, serão arcados pelos cotistas do fundos, afetando o patrimônio dos institutos de previdência e, consequentemente, prejudicando os benefícios dos servidores municipais, como aposentadorias e pensões.

“No futuro, quando a empresa quebrar e houver a perda, a alegação vai ser de que é um investimento de risco e que, portanto, ele comporta perdas”, declarou o delegado.

“Quem vai arcar com o prejuízo é o instituto de previdência municipal e os servidores públicos que pouparam e confiaram a administração do seu recurso a essa corretora e ao fundo de investimento.”

A PF cumpriu nove mandados de busca e apreensão expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

Os investigados responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de gestão fraudulenta e negociação de títulos sem lastro, crimes previstos da Lei 7.492/86, com penas de 2 a 12 anos de prisão.

COM A PALAVRA, A GRADUAL INVESTIMENTOS

NOTA À IMPRENSA

São Paulo, 06 de Julho – A empresa de serviços financeiros Gradual Investimentos vem a público esclarecer informações sobre a Operação Papel Fantasma, realizada hoje pela Polícia Federal (PF) na sede da empresa, em São Paulo.

A operação faz parte de procedimento padrão conduzido pela PF, dentro de Inquérito Policial instaurado em Janeiro deste ano, na capital paulista. A Gradual prestou todos os esclarecimentos à equipe de investigadores e se colocou à disposição das autoridades para a elucidação dos fatos.

A Gradual ainda esclarece que esta operação é resultado das falsas acusações e ações de denuncismo orquestrados nos últimos meses pela gestora de fundos Incentivo e pelo escritório de Chiarottino & Nicoletti Advogados, em represália deste grupo pela sua destituição dos fundos Incentivo Multisetorial I e Incentivo Multisetorial II, no dia 06 de março, e do fundo Piatã, em 13 de junho, nas respectivas assembleias de cotistas.

Tanto a Incentivo, como o escritório Chiarottino já são alvos de ações cíveis e criminais ajuizadas pela Gradual por fraudes cometidas na gestão de fundos de investimentos de Regime Próprio de Previdência Social.

A Gradual reitera a seus clientes, parceiros, gestores e investidores que cumpre todas as normas e os regulamentos referentes à sua atuação no mercado de capitais e que não compactua com práticas ilícitas.

COM A PALAVRA, A INCENTIVO INVESTIMENTOS

Por meio de sua Assessoria de Imprensa, a Incentivo Investimentos Ltda esclareceu.

“Em vez de responder às acusações da Polícia Federal, do Ministério Público, da Justiça, do Banco Central, da CVM e diversos outros organismos de fiscalização do mercado, a Gradual investe contra suas vítimas que, legitimamente, lutam para recuperar seus recursos desviados pela corretora.”

“Administradora de fundos de pensão complementar de mais de uma centena de municípios brasileiros, a Gradual faria melhor se tentasse explicar como vem registrando seguidos prejuízos no Brasil enquanto a justiça dos Estados Unidos e Luxemburgo arrestaram milhões de dólares lá depositados sem conhecimento das autoridades brasileiras.”

Assessoria de Imprensa da Incentivo Investimentos Ltda.

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