PF vasculha casa do governador do Tocantins em ação que pega primeira-dama

PF vasculha casa do governador do Tocantins em ação que pega primeira-dama

Dulce Miranda é investigada na 6.ª fase da Operação Ápia

Fabio Serapião, Fausto Macedo e Julia Affonso

13 de dezembro de 2017 | 11h06

Marcelo Miranda e Dulce Miranda. Foto: Facebook Marcelo Miranda

A Polícia Federal faz buscas na casa do governador do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), e da primeira-dama Dulce Miranda – deputada federal pelo PMDB – na 6.ª fase da Operação Ápia. A ação mira Dulce e o deputado Carlos Gaguim (Podemos-Tocantins).

Houve buscas nos gabinetes dos parlamentares. A PF e a Procuradoria-Geral da República abriram a 6ª fase da Operação Ápia para cumprir 16 mandados de busca e apreensão e 8 de intimação contra investigados citados em acordo de colaboração premiada homologado no Supremo Tribunal Federal.

Nesta 6ª fase, apura-se os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro decorrentes de pagamentos de propinas realizados pela empresa Construtora Rio Tocantins – CRT, de propriedade do delator Rossine Ayres Guimarães, a integrantes do núcleo político investigado.

Estão sendo cumpridos mandados nas cidades de Palmas/TO, Araguaína/TO e em Brasília/DF.

A Operação Ápia foi deflagrada em outubro de 2016 pela Superintendência Regional da Polícia Federal em Tocantins para desarticular uma organização criminosa que atuou no Estado de Tocantins corrompendo servidores públicos, agentes políticos, fraudando licitações públicas e execução de contratos administrativos celebrados para a terraplanagem e pavimentação asfáltica em várias rodovias estaduais em valores que superaram a cifra de R$ 850 milhões.

As obras foram custeadas por recursos públicos adquiridos pelo Estado de Tocantins, por meio de empréstimos bancários internacionais e com recursos do BNDES, tendo o Banco do Brasil como agente intermediário dos financiamentos no valor total de R$ 1.203.367.668,70.

Os recursos adquiridos tiveram a União Federal como garantidora (fiadora) da dívida contraída com Banco do Brasil e foram batizados pelo Governo Estadual como Programa Proinveste e Proestado.

Em nota, a PF informou que a investigação apontou para um esquema de direcionamento das contratações públicas mediante pagamento de propina de empresários que se beneficiavam com recebimentos por serviços não executados.

O núcleo político da Associação Criminosa era responsável por garantir as contratações e o recebimento de verbas públicas indevidas por parte dos empresários corruptores.

COM A PALAVRA, DULCE MIRANDA

A reportagem fez contato por e-mail com o gabinete da deputada. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, CARLOS GAGUIM

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Venho, através desta NOTA A IMPRENSA, MANIFESTAR sobre a 6ª Fase da Operação Ápia, realizada nesta manhã, pela Policia Federal, onde minha pessoa foi citada pelo delator Rossine Aires, responsável pela empresa Vale do Lontra.

ESCLAREÇO que durante meu MANDATO no Governo do Estado (setembro de 2009 a dezembro de 2010), a empresa citada pelo delator não logrou êxito em vencer qualquer licitação, inexistindo contratos novos firmados neste período com a referida empresa. As obras da empresa em questão que já haviam sido licitadas e contratadas no governo anterior, não foram interrompidas, e continuaram com o curso normal.

ESCLAREÇO ainda que TODAS AS DOAÇÕES feitas por este delator e/ou suas empresas, nas eleições de 2010, não foram para a minha pessoa, mas sim direcionadas para o Comitê Financeiro Único do PMDB, e/ou para o Diretório do PMDB. Inclusive, eu NUNCA tive sequer acesso as contas do PMDB, que, ademais, foram aprovadas pela Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Tocantins – TRE/TO.

Por fim, REFUTO AS ACUSAÇÕES infundadas e desconheço que o delator tenha repassado valores através de assessores, que seriam para a minha pessoa, não passando de deduções, lançadas sem qualquer conteúdo probatório, com o único intuito de denegrir minha imagem.

Por todas essas denúncias infundadas REAFIRMO o meu repúdio a qualquer manifestação caluniosa e sem provas contra minha pessoa, meramente por acordo de delação feita entre o investigado, seu defensor e o membro do Ministério Público, sem a participação do Magistrado, e com o único objetivo de livrar-se de alguma condenação pelos crimes supostamente praticados dos quais é alvo de investigações.

Neste sentido, com a certeza e a consciência de não ter praticado nenhum crime, ACREDITO na justiça, e CONTINUAREI HONRANDO o povo do Tocantins com o meu trabalho que sempre foi pautado na HONESTIDADE, na LEGALIDADE, no RESPEITO às PESSOAS e ao BEM PÚBLICO. Confio em Deus e que a VERDADE prevalecerá, pois mais uma vez tentam me incriminar sem provas.

ESCLAREÇO AINDA que não fui conduzido coercitivamente, como está sendo propagado, pois agendei meu depoimento para as 10h, desta data, para prestar os esclarecimentos necessários à Polícia Federal, relacionados à investigação; ocasião em que me dirigi à Policia Federal em Brasília em meu próprio veículo.

REAFIRMO que sempre ESTAREI À DISPOSIÇÃO das autoridades para ulteriores esclarecimentos, depoimentos e que mais entenderem necessários.

Brasília-DF, 13 de dezembro de 2017.

Deputado Carlos Henrique Gaguim
Podemos – TO