PF vai pedir imagens de hotel em Ipanema onde teria ocorrido reunião sobre propinas

PF vai pedir imagens de hotel em Ipanema onde teria ocorrido reunião sobre propinas

Ministro do STJ autoriza primeiras diligências nos inquéritos que citam governadores do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), e do Acre, Tião Viana (PT)

Redação

12 de março de 2015 | 20h15

Atualizada em 13/3, às 17h10

Por Julia Affonso, Beatriz Bula e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

O ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), autorizou nesta quinta-feira, 12, as primeiras diligências solicitadas pela Procuradoria-Geral da República, após abertura de inquérito para investigar os governadores do Acre, Tião Viana (PT), e do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB). Ele determinou a expedição de ofício ao delegado diretor do Departamento de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, em Brasília, para que cumpra os prazos indicados.

Foto: Reprodução - GoogleStreetView

Foto: Reprodução – GoogleStreetView

O petista e o peemedebista estão sob suspeita de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobrás, revelado pela Operação Lava Jato. Entre as diligências, a Polícia Federal deverá coletar no Hotel Caesar Park, em Ipanema, no Rio, informações e documentos – incluindo imagens e registros de entrada e saída – relacionados a uma reunião que teria sido realizada no primeiro semestre de 2010 em um dos quartos, possivelmente locado por Regis Fichtner, ex-chefe da Casa Civil do Rio, governo Sérgio Cabral (PMDB), antecessor de Pezão.

Em depoimento, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa afirmou que Luiz Fernando Pezão agiu com Sérgio Cabral e Régis Fichtner para solicitar e receber, ilegalmente, R$ 30 milhões de empresas contratadas pela estatal petrolífera para construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Da esquerda para a direita: Tião Viana, Pezão, Cabral e Fichtner . Fotos: Divulgação e Estadão

Da esquerda para a direita: Tião Viana, Pezão, Cabral e Fichtner . Fotos: Divulgação e Estadão

Segundo a vice-procuradora geral da República, Ela Wiecko, a revelação de que Costa atuava junto às empreiteiras na composição do caixa da campanha eleitoral de 2010 do PMDB está alinhada com o que disse Alberto Youssef. A PF terá 60 dias para ouvir Sérgio Cabral e Fichtner, além dos executivos Cláudio Lima Freire, da empresa Skanska, José Aldemário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, da OAS, Ricardo Ribeiro Pessoa, da UTC, César Luiz de Godoy Pereira, da Alusa, Ricardo Ourique Marques, da Techint, Rogério Santos de Araújo e Márcio Faria da Silva, ambos da Odebrecht.

Em 90 dias, a PF deve promover a análise das doações feitas aos comitês financeiros da campanha eleitoral de 2010 para os governos do Rio de Janeiro e do Acre registradas no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de apresentar relação de vínculos com os fatos em apuração.

O ministro Luís Felipe Salomão, do STJ, atendeu solicitação da Procuradoria e desmembrou o caso em dois inquéritos: um sobre Tião Viana e outro que investigará suspeitas contra Pezão, Cabral e Fichtner. Ele também retirou o segredo de Justiça de todos os procedimentos processuais, com exceção dos dados que resultem de quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático.

COM A PALAVRA, A ALUMINI ENGENHARIA.

A Alumini Engenharia (antiga Alusa) nega veementemente que tenha participado de qualquer acordo ilícito envolvendo doações para campanhas políticas. Nenhum executivo da empresa jamais participou de reuniões dessa natureza ou recebeu pedidos para doações ilegais. Todas as contribuições que a empresa já fez até hoje para partidos e políticos foram devidamente registradas na Justiça Eleitoral, em conformidade com a Lei.

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