PF vai interrogar operador de Eduardo Cunha

PF vai interrogar operador de Eduardo Cunha

Depoimento de Lúcio Funaro, preso na Operação Sépsis, está programado para a tarde desta terça-feira, 5, em Brasília, sobre esquema de propinas no FI/FGTS da Caixa

Fausto Macedo, Julia Affonso, Fábio Fabrini e Mateus Coutinho

05 de julho de 2016 | 12h26

Lúcio Funaro. Foto: Hélvio Romero/Estadão

Lúcio Funaro. Foto: Hélvio Romero/Estadão

O lobista Lúcio Bolonha Funaro, apontado como operador de propinas do presidente afastado da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), deverá ser interrogado nesta terça-feira, 5, na Polícia Federal em Brasília.

Funaro foi preso na sexta-feira, 1.º, em São Paulo. Na noite desta segunda, 4, ele foi transferido para a Superintendência Regional da PF no Distrito Federal.

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A prisão do lobista foi decretada pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), na Operação Sépsis – investigação sobre suposto esquema milionário de propinas no âmbito do FI/FGTS da Caixa.

O esquema teria sido idealizado por Funaro e por Eduardo Cunha, em 2011, segundo delação premiada do ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto.

O delator contou que se reunia toda terça-feira, às 7h30, na casa do parlamentar, inicialmente jno apartamento funcional, depois na residência oficial da Presidência da Câmara.

Nessas reuniões, Fábio Cleto submetia ao crivo de Eduardo Cunha projetos milionários de grandes empresas que procuravam o Fundo de Investimento FGTS em busca de recursos. O ex-vice da Caixa apontou doze operações. Ele revelou que o peemedebista lhe dizia que ficava com propina equivalente a 1% do valor de cada contrato.

Segundo o delator, o presidente afastado da Câmara ‘selecionava’ os projetos que deveriam ser aprovados pelo Comitê do FI/FGTS. A Operação Sépsis indica que após a ‘escolha’ de Eduardo Cunha, seu braço-direito Lúcio Funaro se encarregava de fazer contato com dirigentes das empresas supostamente beneficiadas pelo aval do parlamentar.

Na audiência prevista para esta terça à tarde, Funaro poderá permanecer em silêncio – conduta que a Constituição permite a investigados. Mas ele poderá responder às indagações da Polícia Federal.

“Não está nada definido”, disse o advogado Daniel Gerber, defensor de Funaro.

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