PF suspeita que operador do PSDB esconde documentos e valores em ‘embarcação de grande porte’ no Guarujá

PF suspeita que operador do PSDB esconde documentos e valores em ‘embarcação de grande porte’ no Guarujá

Agentes da Operação Ad Infinitum, fase 60 da Lava Jato, encontraram barco durante buscas na casa de praia de Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa preso nesta terça, 19

Luiz Vassallo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

19 de fevereiro de 2019 | 15h23

Marinas Nacionais. Foto: Google Street View.

Ao cumprir mandados de busca e apreensão nesta terça, 19, em endereços ligados ao ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, o operador do PSDB, a Polícia Federal descobriu uma ‘embarcação de grande porte’ atracada na Marinas Nacionais, na Rodovia Guarujá-Bertioga, litoral Sul de São Paulo. Os investigadores suspeitam que o barco pode servir de esconderijo de documentos e valores.

Vieira de Souza foi preso nesta terça, 19, na Operação Ad Infinitum, fase 60 da Lava Jato, pela terceira vez, agora investigado por suposta operação de propinas a políticos do PSDB.

A Lava Jato atribui ao ex-diretor da Dersa envolvimento em supostos esquemas de lavagem de dinheiro da Odebrecht que abasteciam ex-diretores da Petrobrás e políticos, entre eles, o ex-senador e ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira Filho (Relações Exteriores/Governo Temer), presidente da Investe São Paulo, empresa do governo João Doria. Nesta terça-feira, 19, após ser alvo da Operação, Aloysio Nunes pediu demissão da Investe São Paulo.

Aloysio Nunes. Foto: Dida Sampaio/ESTADÃO

Segundo os investigadores, contas do ex-diretor da Dersa chegaram a ter a cifra de R$ 130 milhões na Suíça.

Vieira de Souza também teria ocultado R$ 100 milhões em sua casa em São Paulo, que seriam usados para abastecer o doleiro Adir Assad, em pagamentos a diretores e gerentes da petrolífera, em nome da Odebrecht.

Nesta terça, 19, a força-tarefa da Lava Jato vasculhou novamente endereços de Vieira de Souza, como sua casa de praia, em Guarujá. Lá, encontraram documentos que levaram a um novo pedido de busca.

A força-tarefa afirma que a ‘equipe de policiais constatou que o mesmo é proprietário/responsável uma uma embarcação de grande porte que fica atracada na marina chamada Marinas Nacionais, no mesmo município’.

“Tendo sido o investigado questionado sobre possível autorização para uma busca na embarcação, o mesmo, orientado pelo seu advogado, recusou a autorização”, afirma o delegado Alessandro Netto Vieira, em ofício à juíza Gabriela Hardt, da 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba, a quem pediu autorização – concedida – para buscas no barco.

O ex-diretor
da Dersa Paulo
Vieira de Souza. FOTO: ED FERREIRA/ESTADÃO

A força-tarefa afirma a possibilidade de se tratar de ‘embarcação de grande porte, que pode vir a servir, ainda que remotamente, de alguma residência’, é necessário pedir expedição de novo mandado de busca à juíza federal Gabriela Herdt, responsável pela Lava Jato.

O delegado ressalta ‘a negativa do investigado em autorizar a policia a proceder buscas no local’, além da ‘chance de o local ser usado como ponto de esconderijo de documentos, valores ou objetos de prova’.

“Uma vez autorizadas as buscas, elas serão cumpridas pela mesma equipe de policiais que já se encontra no Guarujá para cumprimento de mandado na casa de praia do investigado, observando-se ainda a posterior apreensão do bem com nomeação de fiel depositário”, pediu.
A diligência já foi autorizada pela magistrada. “Diante disto, determino a expedição de mandado de busca e apreensão a ser cumprido na embarcação indicada”.

COM A PALAVRA, ALOYSIO

O ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira, presidente da Investe São Paulo, disse que ainda ‘não teve acesso às informações’ da Operação Ad Infinitum, a fase 60 da Lava Jato. Segundo ele, o delegado da Polícia Federal que conduziu as buscas em sua residência nesta terça, 19, ‘foi muito cortês’, mas não revelou a ele os motivos da diligência. “O inquérito está em segredo, eu estou buscando saber o que há.”

Aloysio negou ter recebido cartão de crédito da conta do operador do PSDB Paulo Vieira de Souza, preso na Ad Infinitum.

COM A PALAVRA, PAULO VIEIRA DE SOUZA

A reportagem fez contato com a assessoria de Paulo Vieira de Souza. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A ODEBRECHT

“A Odebrecht tem colaborado de forma eficaz com as autoridades em busca do pleno esclarecimento dos fatos narrados pela empresa e seus ex-executivos. A Odebrecht já usa as mais recomendadas normas de conformidade em seus processos internos e segue comprometida com uma atuação ética, íntegra e transparente.”

COM A PALAVRA, A CAMARGO CORRÊA

“A Construtora Camargo Corrêa foi a primeira empresa de seu setor a firmar um acordo de leniência e, desde então, vem colaborando continuamente com as autoridades.”

COM A PALAVRA, A ANDRADE GUTIERREZ

A Andrade Gutierrez informa que apoia toda iniciativa de combate à corrupção, e que visa a esclarecer fatos ocorridos no passado. A companhia assumiu esse compromisso público ao pedir desculpas em um manifesto veiculado nos principais jornais do país e segue colaborando com as investigações em curso dentro do acordo de leniência firmado com o Ministério Público Federal. A empresa incorporou diferentes iniciativas nas suas operações para garantir a lisura e a transparência de suas relações comerciais, seja com clientes ou fornecedores, e afirma que tudo aquilo que não seguir rígidos padrões éticos será imediatamente rechaçado pela companhia.

COM A PALAVRA, PSDB

“O PSDB de São Paulo esclarece que não é parte no processo em questão e não mantém qualquer tipo de vinculo com o sr. Paulo Vieira, jamais recebeu qualquer contrapartida de empresas nem autorizou terceiros a fazê-lo em seu nome. Os recursos recebidos pelo partido, em período eleitoral ou não, foram doados de maneira absolutamente legal e declarados à Justiça Eleitoral, respeitando a legislação vigente.”

“A Executiva Nacional do PSDB não foi informada sobre os detalhes do caso, mas reitera seu apoio e confiança na justiça brasileira, em vista dos esclarecimentos prestados pelo ex-senador Aloysio Nunes”.

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