PF suspeita que campanha de Pimentel omitiu do TSE pagamento à Gráfica Brasil

PF suspeita que campanha de Pimentel omitiu do TSE pagamento à Gráfica Brasil

Relatório de inteligência indica "caso de subfaturamento em quase metade do valor dos materiais gráficos produzidos, cujo valor atingiu a substancial monta de mais de R$ 6 milhões"

Redação

25 de junho de 2015 | 18h55

PF cumpriu mandados de busca e apreensão no prédio da Pepper Comunicação, em Brasília, pela 2ª fase da Operação Acrônimo.Foto: André Dusek/Estadão

PF cumpriu mandados de busca e apreensão no prédio da Pepper Comunicação, em Brasília, pela 2ª fase da Operação
Acrônimo.Foto: André Dusek/Estadão

Atualizada às 12h43

Por Fábio Fabrini, Talita Fernandes e Andreza Matais

Brasília – Os investigadores da Operação Acrônimo, da Polícia Federal, suspeitam que a campanha vitoriosa de Fernando Pimentel (PT) ao governo de Minas Gerais omitiu do Tribunal Superior Eleitoral (STF) gastos com serviços gráficos contratados da Gráfica Brasil. Conforme relatório de inteligência, “tem-se caso de subfaturamento em quase metade do valor dos materiais gráficos produzidos, cujo valor atingiu a substancial monta de mais de R$ 6 milhões.”

Na primeira fase da Acrônimo, a PF encontrou cinco notas fiscais referentes a confecção de 34 milhões de santinhos da campanha de Pimentel que custaram R$ 362 mil. Um cruzamento de dados revelou que os documentos “não estão registradas no TSE, seja na prestação de contas do candidato, da direção partidária ou do comitê financeiro único.” O objetivo, segundo relatório de inteligência da PF, “seria minorar os gastos da Gráfica Brasil com a campanha de Pimentel, bem como possibilitar que os gastos daquele candidato não atingissem o limite estipulado no início da campanha.”

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Os investigadores também suspeitam que a campanha apresentou nota fria da gráfica Colorprint para encobrir o verdadeiro prestador de serviços, a Gráfica Brasil. A Colorprint teria, segundo registrou a campanha, impresso panfletos de Pimentel com os slogans “Competência para fazer melhor” e ” Ouvir para fazer melhor”. Contudo, essa empresa “aparentemente não teria condições de produzir o serviço encomendado e pode ter sido utilizada somente para tirar o foco de toda a produção da Gráfica Brasil para a campanha de Fernando Pimentel”.

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Uma ordem de serviço indicava a produção de 2,5 milhões de santinhos, mas a nota fiscal indicava uma produção de 250 mil. O Comitê Financeiro Único do PT/MG repassou R$ 1,58 milhão em serviços gráficos e publicidade para a Colorprint “a despeito de se tratar de uma microempresa e com apenas um funcionário formalmente registrado.” Outro exemplo é uma ordem de serviço de R$ 25 mil e custo de R$ 140 mil , enquanto que a nota fiscal correspondia a produção de metade dos santinhos no valor de R$ 71.250,00.

COM A PALAVRA, OS CRIMINALISTAS PIERPAOLO BOTTINI E ANTONIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO, O KAKAY

Os advogados Pierpaolo Bottini e Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, informaram à reportagem do Estadão que ainda não tiveram acesso à totalidade da investigação da Polícia Federal. “Vamos analisar todos os documentos para tomar as medidas cabíveis na defesa de nossos clientes”, destacou Pierpaolo Bottini, que defende Carolina Pimentel, mulher de Fernando Pimentel.

 

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