PF recolhe ‘Termo de ajuste’ entre Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa

PF recolhe ‘Termo de ajuste’ entre Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa

Junto com as superplanilha de doações a políticos da Odebrecht apreendida pela Operação Lava Jato com o executivo Benedicto Barbosa, foi encontrado documento que pode ajudar Procuradoria nas acusações de cartel

Ricardo Brandt, Mateus Coutinho, Fausto Macedo e Julia Affonso

23 de março de 2016 | 16h52

TERMO DE AJUSTE COM BENEDICTOA Polícia Federal apreendeu com o presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa da Silva Júnior,  um “termo de ajuste” assinado por ele e dois executivos da Andrade Gutierrez e da Camargo Corrêa – três empreiteiras acusadas de cartel e corrupção na Petrobrás. O documento de 2002 tem oito itens com acertos entre as partes referentes a obras públicas, como no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos.

O documento é de dezembro de 2002 e foi anexado junto com a superplanilha de doações da Odebrecht, dentro do procedimento da Operação Acarajé, deflagrada em 22 de fevereiro – que tinha como alvo o marqueteiro do PT João Santana. Ele foi indiciado nesta terça-feira, 22, pela PF pelo recebimento de US$ 7,5 milhões em conta secreta na Suíça. Os valores teriam como origem o cartel que atuava na Petrobrás, entre elas a Odebrecht, que repassou US$ 3 milhões do total.

O documento em poder do executivo da Odebrecht indica aos investigadores da Lava Jato composições de negócios entre as três empresas concorrentes. Cita compromisso entre “CC”, Camargo, e “CNO”, Odebrecht por causa de “Campos novos” e “Licitação em BSB”, o “acordo de Palmas”, “preferência na escolha de lote no projeto CMSP Linha 4”, o “contrato de Cumbica – Pátio TPS-3 ou 3ª pista” entre outros.

TERMO DE AJUSTE COM BENEDICTO CAPA

O documento pode ajudar a força-tarefa da Lava Jato nas acusações que devem começar a ser montadas neste ano de cartel contra empreiteiras acusadas de fraudes e desvios na Petrobrás. Até aqui, as ações penais imputam aos acusados os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Falta o pacote de processos por cartel e fraudes licitatórias.

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Nesta terça-feira, 22, a PF deflagrou a 26ª fase da Lava Jato, em decorrência das descobertas feitas anteriormente na fase 23, Acarajé. A partir do repasse de valores suspeitos ao marqueteiro do PT, a Lava Jato chegou à secretária Maria Lucia Tavares, que era uma das responsáveis pelos pagamentos de propina da Odebrecht. Presa desde o dia 22 de fevereiro, ela fechou delação premiada e levou às investigadores a um departamento montado na empresa para cuidar dos pagamentos e da contabilidade da corrupção.

Todo departamento de pagamentos paralelos teria sido organizado sob controle do presidente afastado Marcelo Bahia Odebrecht, que ontem anunciou sua intenção de fechar colaboração. Odebrecht está preso desde 19 de junho de 2015 em Curitiba. Ele foi condenado no mês passado pelo juiz federal Sérgio Moro a 19 anos de prisão. Ontem foi confirmado pelo grupo que os executivos estão negociando acordo de colaboração com a Lava Jato.

Das três empreiteiras, executivos da Andrade Gutierrez e da Camargo Corrêa fecharam acordo de colaboração premiada com a Lava Jato.

 

 

 

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