PF abre nova fase da Lava Jato e mira advogado ligado a Renan

PF abre nova fase da Lava Jato e mira advogado ligado a Renan

A ação de hoje cumpre apenas mandados de busca e apreensão e tem sustentação em informações da delação premiada da Odebrecht. Um dos alvos de busca é o advogado Bruno Mendes, que seria ligado ao senador Renan Calheiros

Beatriz Bulla, Fábio Fabrini e Fabio Serapião

28 de abril de 2017 | 09h12

Foto: Reprodução/Sindicato dos Delegados da Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira, 28, operação que mira políticos que estão sob investigação no Supremo Tribunal Federal. A Operação foi solicitada pela Procuradoria-Geral da Republica  (PGR) e autorizada pelo ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal  (STF).

A ação de hoje cumpre apenas mandados de busca e apreensão. Um dos alvos de busca é o advogado Bruno Mendes, que seria ligado ao senador Renan Calheiros (PMDB). Mendes já ocupou o cargo de assessor parlamentar de Calheiros.

A investigação que deu origem à operação utilizou informações da delação de Sérgio Machado. Bruno Mendes foi gravado em uma das conversas do ex-presidente da Transpetro entregues à Lava Jato.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, os mandados visam coletar documentos, equipamentos, mídias e arquivos eletrônicos, aparelhos de telefone, valores e objetos em endereços residenciais e comerciais em Alagoas, Rio Grande do Norte, Sergipe, São Paulo e no Distrito Federal.

A operação é um desdobramento da Satélites, deflagrada pela PF em 21 de março tendo como alvo pessoas ligadas aos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Humberto Costa (PT-PE), Eunício Oliveira (PMDB-CE) e Valdir Raupp (PMDB-RO).

À época, em nota, a PF informou a Satélites foi a primeira vez em que se utilizou informações dos acordos de colaboração premiada firmados com executivos e ex-executivos da Odebrecht. Os acordos foram homologados pelo STF em janeiro deste ano.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO LUÍS HENRIQUE MACHADO, DEFENSOR DE BRUNO MENDES

Por meio de nota de esclarecimento, o advogado Luís Henrique Machado, constituído pelo advogado Bruno Mendes, informou que o pedido de busca já havia sido ‘incisivamente indeferido pelo ministro Teori Zavascki no ano passado’.
“Não existia qualquer indício ou notícia de prática ilícita envolvendo o advogado”, assinala Luís Henrique Machado, do escritório Machado Ramos & Von Glehn Advogados.

Machado destaca que na operação deflagrada nesta sexta-feira, 28, a Polícia Federal ‘não localizou, identificou ou apreendeu nenhum objeto de valor, como dinheiro em espécie, obras de arte ou joias que pudessem aparentar origem suspeita ou resultado de conduta ilícita’.

LEIA A INTEGRA DA NOTA DE ESCLARECIMENTO DO ADVOGADO LUÍS HENRIQUE MACHADO

“Diante do pedido de busca e apreensão realizado, nesta sexta-feira, no escritório de advocacia de Bruno Mendes vale esclarecer:

Pedido de natureza semelhante já havia sido incisivamente indeferido pelo Ministro Teori Zavascki no ano passado, pois não existia qualquer indício ou notícia de prática ilícita envolvendo o Advogado.

Na operação realizada hoje pela Polícia Federal, não foi localizado, identificado ou apreendido, nenhum objeto de valor, como dinheiro em espécie, obras de arte ou joias que pudessem aparentar origem suspeita ou resultado de conduta ilícita. Basicamente foram recolhidas cópias relativas à defesa de clientes, rascunhos de discursos e cartões de visita.”

Tudo isso demonstra que não há nenhuma evidência ou participação do advogado nos fatos investigados.

Luís Henrique Machado, advogado de Bruno Mendes
Escritório: Machado Ramos & Von Glehn Advogados

COM A PALAVRA, O SENADOR RENAN CALHEIROS

O senador Renan Calheiros afirma estar tranquilo em relação à operação Lava Jato, porque tem certeza de que não cometeu qualquer irregularidade.

A tentativa de ligar Bruno Mendes a atos ilegais é inócua porque o profissional sempre atuou em conformidade com as leis.  Bruno é um advogado digno, respeitado e renomado, que presta relevantes serviços jurídicos ao PMDB.

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