PF rastreia outros usuários do ‘Drousys’, o sistema de propinas da Odebrecht

PF rastreia outros usuários do ‘Drousys’, o sistema de propinas da Odebrecht

Delegado da Lava Jato intimou dono da empresa que forneceu o sistema de comunicação secreto, que tinha servidor na Suíça e Suécia, para Setor de Operações Estruturadas falar sobre corrupção; lobistas ligados ao PMDB, Jorge e Bruno Luz, são um dos focos

Ricardo Brandt, Julia Affonso, Fausto Macedo e Luiz Vassallo

11 de outubro de 2017 | 05h00

A Polícia Federal intimou os responsáveis pelo sistema de comunicação secreto do setor de propinas da Odebrecht, o Drousys, para apresentarem a relação de “todos os clientes” e quem eram os usuários. A suspeita é que outras empresas e pessoas fora do Setor de Operações Estruturadas da empreiteira também utilizaram as contas de e-mail que tinham servidor mantido na Suíça e na Suécia.

O delegado Filipe Hille Pace, da Operação Lava Jato em Curitiba, requisitou à defesa dos responsáveis pela Draftsystems and Communications Ltd., desenvolvedora do Drousys, que apresente elementos sobre seis itens que servirão para instruir as investigações. Os dados do sistema de comunicação integram os materiais de prova entregues pela Odebrecht na maior delação da Lava Jato, fechada com o Ministério Público Federal em dezembro de 2016.

Documento

O primeiro deles é a “relação todos os clientes (nacionais estrangeiros, pessoas físicas jurídicas) da empresa” com “comprovação documental dos reais beneficiários dos serviços, haja vista que os usuários eram identificados por
codinomes”. Pede ainda a “apresentação de relação de todos os usuários nacionais estrangeiros cadastrados nos sistemas disponibilizados pela Draftsystems, em especial no sistema Drousys.”

O despacho é do dia 21 de setembro e foi anexado no inquérito da Operação Abate I e II que apura corrupção envolvendo o ex-líder do PT na Câmara Cândido Vaccarezza, o advogado Tiago Cedraz – filho do ministro do TCU taldo Cedraz – e os lobistas Jorge Luz e Bruno Luz.

Suspeita. A Lava Jato quer saber se o sistema de comunicação usado no setor de propinas da Odebrecht – que movimentou mais de US$ 3 bilhões em propinas em dez anos – também era usado por outras empresas ou pessoas que não integrava o quadro de executivos e prestadores de serviços do grupo.

Segundo o delegado, ao analisar “extratos bancários de contas internacionais já obtidas pela Lava Jato, em especial da offshore OST Invest Finance Inc., verificou-se pagamentos em beneficio da conta da empresa Draftsystems And Communications”.

A offshore foi usada pelo genro de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás, para recebimento de propinas. Uma das empresas que pagou por essa via foi o lobista ligado à Trafigura.

Os valores da OST Invest para a Draftststems são baixos, mas interessa a PF saber quem mais usava o Drousys, espécie de intranet e rede de comunicação segura, por meio da qual os executivos da Odebrecht e do Setor de Operações Estruturadas acertavam os pagamentos e movimentações de recursos.

Pace destacou no pedido que os investigados Jorge Luz e seu filho Bruno Luz, lobistas em negócios na Petrobrás com ligações com políticos do PMDB “também relataram utilizaram-se dos serviços da Draftsystems.

O delegado requereu ainda a “apresentação dos comprovantes de pagamentos efetuados pelos clientes”, “esclarecimentos sobre os tipos de serviços prestados pela Draftsystems para cada um dos clientes, em especial para Paulo Roberto Costa, Humberto Sampaio de Mesquita (o genro), Jorge Luz, Bruno Luz e Paulo Sérgio Vaz de Arruda”.

A PF cobrou ainda a entrega dos arquivos de backup mantidos pela Draftsystems “relativos aos serviços disponibilizados (Drousys, etc) pela empresa todos seus clientes”, em especial para os citados acima, para “realização de perícia e posterior análise policial”.

 

COM A PALAVRA, A DEFESA DA DRAFTSYSTEMS

Por meio do criminalista Ralph Tórtima Stettinger, os responsáveis pelo Drousys da Draftsystems, Paulo Sérgio da Rocha Soares e Camilo Gornatti, informaram que estão colaborando com as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. A defesa requereu mais prazo para levantar todas as informações.

Os responsáveis informaram que apenas desenvolveram e davam manutenção ao sistema de informática fornecido para o Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht.

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